Por outro lado, governo avalia improvável acordo para tarifa de 12,5%
O governo brasileiro intensificou as negociações com os Estados Unidos para tentar evitar a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos exportados pelo Brasil ao mercado norte-americano. A medida foi recomendada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), após investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio do país.
A recomendação foi divulgada na última semana e tem como justificativa alegadas práticas consideradas desleais nas relações comerciais entre os dois países. Entre os pontos citados pelo órgão norte-americano está o sistema de pagamentos Pix, que, segundo o USTR, favoreceria empresas brasileiras em detrimento de companhias estrangeiras do setor.
O governo brasileiro contestou os argumentos e afirmou que a proposta representa uma tentativa de interferência em questões internas do país, além de refletir uma postura protecionista por parte dos Estados Unidos.
As negociações agora têm como prazo o dia 15 de julho, data estabelecida pelo USTR para uma definição sobre o tema. A expectativa do governo brasileiro é utilizar esse período para buscar um entendimento que seja considerado vantajoso para ambos os países e evite a aplicação da sobretaxa.
Entre os argumentos apresentados pelo Brasil está o fato de os Estados Unidos registrarem superávit comercial na relação bilateral. Além disso, o governo destaca que a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre produtos norte-americanos é de 2,7%, índice considerado insuficiente para justificar medidas adicionais.
As tratativas enfrentam desafios devido ao grande número de negociações tarifárias conduzidas atualmente pelos Estados Unidos com diversos países, além do envolvimento do governo norte-americano em questões internacionais, como o conflito no Oriente Médio.
O governo brasileiro também avalia a possibilidade de um novo encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano Donald Trump. Os dois podem participar de compromissos internacionais no G7, programado para ocorrer entre 15 e 17 de junho, embora não haja confirmação de uma reunião bilateral.
Enquanto busca um acordo focado exclusivamente em questões tarifárias e comerciais, o Brasil afirma que temas como o Pix não fazem parte das negociações.
Paralelamente, o governo brasileiro acompanha a implementação de uma tarifa adicional de 10% a 12,5% aplicada pelos Estados Unidos a cerca de 60 países. A medida atinge economias como Japão, União Europeia, Canadá, Índia e Argentina, além do Brasil, e tem sido apresentada por Washington como parte de ações relacionadas ao combate ao trabalho análogo à escravidão.
Na avaliação do governo brasileiro, essa cobrança possui caráter mais amplo e dificilmente será objeto de negociação individual, por envolver um grande número de países e integrar a estratégia comercial adotada pelos Estados Unidos.