Decisão é considerada “histórica” pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, confirmou nesta sexta-feira (9) que a União Europeia (UE) aprovou, por ampla maioria, o acordo de livre comércio com o Mercosul — bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
“A decisão do Conselho de apoiar o acordo UE–Mercosul é histórica. A Europa está enviando um sinal forte”, escreveu Ursula na rede X. “Estamos empenhados em criar crescimento, empregos e em garantir os interesses dos consumidores e das empresas europeias.”
Com a aprovação, Ursula vai ser autorizada a viajar ao Paraguai na próxima semana para ratificar o tratado com os países do Mercosul. O país assumiu em dezembro de 2025 a presidência rotativa do bloco.
Em comunicado divulgado no site da Comissão Europeia, ela afirmou esperar “ansiosamente” pela assinatura do pacto, que ainda precisa do aval do Parlamento Europeu para entrar em vigor. A representante destacou que, em um cenário global marcado por tensões econômicas e comerciais, o acordo demonstra que “a Europa traça seu próprio curso e se mantém como uma parceira confiável”.
O acordo prevê redução imediata de tarifas para setores estratégicos, como máquinas e equipamentos de transporte, motores e geradores elétricos, autopeças e aeronaves.
Também serão beneficiados segmentos como couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas e produtos químicos. Para diversas commodities, as tarifas serão reduzidas de forma gradual até sua eliminação completa, com aplicação de cotas.
Votos contrários e regras de aprovação
Segundo o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Polônia, Stefan Krajewski, além de seu país, votaram contra o acordo Áustria, França, Hungria e Irlanda. Pelas regras da UE, era necessário que pelo menos 15 dos 27 Estados-membros, representando ao menos 65% da população do bloco, apoiassem a proposta — critério que foi alcançado.
Repercussão no Brasil
No Brasil, lideranças políticas e empresariais comemoraram a decisão. A Agência Brasileira de Promoção de Exportação e Investimentos (ApexBrasil) afirmou que o acordo cria um mercado de quase US$ 22 trilhões e pode elevar as exportações brasileiras para a UE em cerca de US$ 7 bilhões.
“Estamos falando de uma população de mais de 700 milhões de habitantes e de um PIB de perto de US$ 22 trilhões. Só perde para o dos Estados Unidos, em torno de US$ 29 trilhões, e supera o da China, que gira em torno de US$ 19 trilhões”, destacou o presidente da agência, Jorge Viana.
Ele também ressaltou que mais de um terço das exportações brasileiras ao bloco é composto por produtos da indústria de processamento — um indicador da qualidade da pauta exportadora.