Realizadores do projeto preveem começar as obras em 2026 e iniciar as operações até 2030
A instalação do Porto Meridional de Arroio do Sal foi tema de debate na reunião-almoço promovida pela CIC Caxias nesta segunda-feira (31). O encontro reuniu representantes do setor empresarial e autoridades para discutir os avanços e desafios do empreendimento, que promete impactar a economia do Litoral Norte e da Serra Gaúcha.
Desde 2020, o projeto vem sendo desenvolvido e recentemente o protocolo do estudo de impacto ambiental junto ao Ibama, órgão responsável pela emissão das licenças necessárias. Além disso, já foi obtido o contrato de adesão junto à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), outro passo fundamental para a viabilização.
O planejamento prevê o início das obras em 2026, com duração de aproximadamente três anos, e o início das operações entre o final de 2029 e o início de 2030. O empreendimento também contempla a construção de uma ponte sobre a Lagoa Itapema, conectando o porto à BR-101, principal rodovia transportadora de cargas da região. “Faz parte dos investimentos mapeados pelo projeto e objeto do licenciamento”, afirmou Daniel Kohl, diretor da DTA Engenharia.
O projeto, orçado em R$ 6 bilhões, será financiado integralmente com recursos privados, incluindo investimentos em infraestrutura, terminais de armazenagem, equipamentos e berços de atracação. Existe ainda a possibilidade de financiamento pelo Fundo da Marinha Mercante, sem envolvimento de recursos públicos diretos. “Obviamente existe essa condição de um financiamento pelo Fundo da Marinha Mercante, que é um fundo subsidiado do governo federal, mas não é um recurso público, é um financiamento”, destacou Kohl.
Durante a fase de construção, a expectativa é de gerar entre dois e três mil empregos diretos, com um impacto indireto ainda maior. Já na operação, o porto deve contar com aproximadamente 1,5 mil a 1,8 mil trabalhadores.
A localização estratégica do porto entre Tramandaí e Torres foi apontada como um fator favorável, pois permite maior profundidade próxima à costa, reduzindo custos de implantação. No entanto, será necessária a construção de estruturas de abrigo para garantir a operação segura dos navios. “Existem técnicas consagradas de engenharia costeira de proporcionar esse abrigo e a gente está desenvolvendo um projeto de quebra-mares em rocha e com tecnologias de proteção de elementos artificiais”, explicou Kohl.
O evento contou com a presença do senador Luis Carlos Heinze, que comentou que a documentação necessária para o licenciamento ambiental já foi enviada ao Ibama e agora aguarda as demandas para complementação.
Ainda de acordo com Kohl, o impacto será regional. “O Porto Meridional será um vetor de desenvolvimento. Vai impulsionar cadeias produtivas, gerar novos negócios e aumentar a oferta de serviços tanto no Litoral Norte quanto na Serra Gaúcha”.