Durante voo rumo à África, pontífice rebate declarações do líder norte-americano, evita confronto político e reforça compromisso com a paz
Durante o voo que marcou o início de sua primeira viagem oficial à África, nesta segunda-feira (13), o Papa Leão XIV respondeu às críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que não teme o líder norte-americano ao declarar que “não tenho medo do presidente dos Estados Unidos”.
A manifestação ocorre após Trump criticar o pontífice na rede Truth Social, na noite de domingo (12), onde o classificou como “fraco em política externa” e disse que não quer um papa que questione decisões dos Estados Unidos ou que, segundo ele, esteja alinhado à “esquerda radical”. O presidente também sugeriu que Leão XIV deveria ser “grato” e insinuou que sua eleição teria relação com sua nacionalidade.
Sem ampliar o confronto, o papa adotou um tom institucional e reforçou que sua missão não é política, destacando que “a minha mensagem é o Evangelho e continuo a falar com força contra a guerra”, ao mesmo tempo em que defendeu que a Igreja atue como promotora da paz.
Na mesma linha, o pontífice ressaltou que não vê sua atuação como parte da política internacional, afirmando que “não somos políticos, não olhamos para a política externa com a mesma perspectiva”, mas que a Igreja acredita na mensagem do Evangelho como caminho para construir a paz.
Apelo global pela paz
O papa também enfatizou que sua mensagem é dirigida a todos os líderes mundiais, e não apenas aos Estados Unidos, ao afirmar que “muitas pessoas estão sofrendo hoje, muitos inocentes foram mortos” e que é necessário que alguém se levante para mostrar que há caminhos alternativos aos conflitos.
Ao final, reforçou o apelo por soluções pacíficas, defendendo que é preciso “tentar acabar com as guerras e promover a paz e a reconciliação”.
Viagem com foco na reconciliação
A declaração foi dada a cerca de 70 jornalistas que acompanham a comitiva papal rumo à Argélia, primeira parada de uma agenda que inclui ainda Camarões, Angola e Guiné Equatorial. Ao comentar o início da viagem, Leão XIV destacou que se trata de “uma viagem especial, a primeira que eu queria fazer”, classificando o momento como uma oportunidade importante para promover a reconciliação e o respeito entre os povos.
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