Investigação aponta movimentação de R$ 32,3 milhões, cobranças com ameaças e incêndio na casa de uma das vítimas
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) prendeu cinco pessoas nesta sexta-feira (9) durante a Operação Multiplicação, que investiga um esquema de agiotagem com ameaças e extorsão na Serra gaúcha. A ação foi realizada em Bento Gonçalves e Carlos Barbosa e teve como alvo oito investigados suspeitos de ligação com o crime organizado.
Três pessoas tiveram a prisão preventiva decretada. Outras duas foram presas em flagrante por posse irregular de arma de fogo. Durante a operação, foram cumpridos mandados em 13 locais, com apreensão de armas, munições, documentos, celulares e outros equipamentos eletrônicos. A Justiça também determinou a indisponibilidade de três imóveis e sete veículos vinculados aos investigados.
Segundo o MPRS, o grupo movimentou aproximadamente R$ 32,3 milhões. Os investigados são suspeitos de praticar extorsão, organização criminosa, usura — cobrança de juros abusivos — e lavagem de dinheiro.
A operação foi coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), por meio do 5º Núcleo Regional da Serra, e contou com a participação do 4º Batalhão de Choque da Brigada Militar. A ação é um desdobramento da Operação Contas Abertas, que apura a estrutura financeira de uma facção criminosa.
Empréstimos eram seguidos por ameaças e novas cobranças
De acordo com as investigações, o grupo concedia empréstimos com juros elevados e continuava exigindo pagamentos mesmo depois de as vítimas quitarem os valores inicialmente acordados. As cobranças eram acompanhadas de intimidações e ameaças, que, conforme o MP, eram reforçadas pelo vínculo dos investigados com uma facção criminosa.
Em um dos casos apurados, uma vítima contraiu um empréstimo de R$ 50 mil, realizou diversos pagamentos e chegou a entregar uma caminhonete como garantia. Mesmo assim, as cobranças prosseguiram. Mensagens, áudios e comprovantes bancários reunidos durante a investigação indicam a continuidade das exigências financeiras.
Outro episódio envolve o incêndio da casa de uma das vítimas. Conforme o MPRS, o fogo teria sido provocado como forma de ameaça durante a cobrança de um empréstimo, com a intenção de intimidar também outros devedores.
Investigação aponta movimentação de R$ 32,3 milhões
As apurações identificaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda formal de parte dos investigados. Segundo o Gaeco, contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo, além de empresas e terceiros, eram utilizadas para movimentar os recursos e dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.
Os crimes investigados teriam ocorrido entre janeiro de 2022 e novembro de 2025.
Conforme o promotor de Justiça Manoel Figueiredo Antunes, responsável pela investigação, a operação busca aprofundar a identificação dos envolvidos, dimensionar o patrimônio relacionado ao esquema e localizar novas vítimas. O objetivo também é esclarecer a origem dos valores movimentados e a possível utilização de empresas, contas bancárias, veículos e imóveis para ocultação patrimonial.
Os materiais apreendidos durante o cumprimento dos mandados serão analisados no decorrer da investigação.