Câmara de Vereadores e CIC realizaram encontros nesta quinta-feira (23) para discutir os impactos sociais, econômicos e operacionais da proposta que está em andamento no Congresso Nacional
A discussão sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho movimentou Caxias do Sul nesta quinta-feira (23), com dois importantes eventos realizados no mesmo dia: uma audiência pública na Câmara de Vereadores e um painel promovido pela Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC Caxias).
Embora com públicos diferentes, os encontros tiveram o mesmo objetivo: ampliar o debate sobre uma proposta que avança no cenário nacional e divide opiniões entre trabalhadores, sindicatos, empresários e lideranças políticas.
Reunião na Câmara de Vereadores reúne representantes de trabalhadores e de empresários
Durante a noite, o plenário Nadyr Rossetti, na Câmara Municipal, recebeu a audiência pública promovida pela Frente Parlamentar pela Redução da Jornada de Trabalho e Fim da Escala 6×1. O encontro reuniu vereadores, lideranças sindicais, representantes empresariais e trabalhadores para discutir os impactos sociais e econômicos da mudança.
O presidente da Frente Parlamentar, vereador José de Abreu Jack (PDT), destacou que a pauta é uma das principais bandeiras do grupo no Legislativo caxiense e defendeu a participação ativa da cidade no debate nacional. Segundo ele, Caxias do Sul precisa estar inserida nessa discussão porque “somos a segunda maior cidade do estado, segundo maior polo metalmecânico do Brasil, nós temos que fazer esse debate com certeza”.
Representantes dos trabalhadores defenderam a adoção da escala 5×2 e a diminuição da carga horária semanal, argumentando que a mudança traria mais qualidade de vida, melhor saúde mental e mais tempo de convivência familiar. O presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros, Antônio Neto, reforçou que a proposta vai além da questão trabalhista e afirmou que “não se trata apenas de trabalhar menos, mas de viver melhor, com mais tempo para a família e para a saúde”, classificando a pauta como histórica para o movimento sindical.
Já representantes do setor produtivo manifestaram preocupação com os impactos financeiros e operacionais da proposta, principalmente no comércio e na indústria. O presidente da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), Rodrigo Costa, afirmou que o tema exige responsabilidade e uma análise profunda sobre seus efeitos na economia, ressaltando que “qualquer mudança precisa considerar os impactos na economia, especialmente no comércio, que já enfrenta muitos desafios”.
Ao final da audiência, o vereador Jack anunciou que a Frente Parlamentar irá reunir os encaminhamentos e elaborar um documento que será enviado a Brasília, com o posicionamento construído durante o encontro.

Debate na CIC debateu impactos econômicos da proposta
Mais cedo, ainda durante a tarde, a CIC Caxias promoveu no auditório da entidade um painel com foco nos impactos econômicos e operacionais da proposta, reunindo empresários e representantes de entidades estaduais.
A principal preocupação apresentada foi o aumento de custos para as empresas, a perda de competitividade e os possíveis reflexos no emprego e na inflação. O vice-presidente de Serviços da CIC Caxias, André Renato Zuco, afirmou que o setor empresarial não é contrário à redução da jornada, mas criticou a forma como o tema vem sendo conduzido. Segundo ele, “ninguém aqui é contra a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1”, porém o problema está em discutir “um tema tão sério para o Brasil em ano eleitoral, como uma pauta eleitoreira e sem as articulações necessárias”.
Rodrigo Costa também participou do painel e defendeu que, antes de qualquer mudança, é necessário discutir a redução de encargos trabalhistas. Para ele, “com a redução da jornada o trabalhador não vai ter renda e nem qualidade de vida”, e o governo precisa rever a carga de encargos para então iniciar uma discussão mais ampla sobre o tema.
O presidente da Federação Varejista do Rio Grande do Sul, Ivonei Pioner, alertou que não existem dados concretos que comprovem os benefícios da redução da jornada e afirmou que o aumento de custos inevitavelmente será repassado ao consumidor, o que pode ampliar o endividamento das famílias e pressionar a inflação.
Na mesma linha, o vice-presidente de Indústria da CIC Caxias, Oliver Viezzer citou experiências internacionais e destacou que países que adotaram a redução da jornada enfrentaram queda de produtividade e fechamento de postos de trabalho, defendendo que o Brasil precisa considerar a alta carga tributária e os encargos trabalhistas antes de qualquer mudança estrutural.
Após os debates, a CIC informou que pretende realizar novos encontros com deputados federais e lideranças empresariais antes da votação do projeto no Congresso Nacional.
