Cidade registra alta de 12,05% no número de negativados em um ano, enquanto tempo médio das dívidas já ultrapassa dois anos
O cenário financeiro das famílias de Flores da Cunha acendeu um sinal de alerta. Dados do SPC Brasil mostram que o município fechou dezembro com aumento de 12,05% no número de inadimplentes em relação ao mesmo período do ano anterior — índice superior tanto à média da região Sul (10,86%) quanto à nacional (10,17%).
Mesmo com uma leve redução mensal de -0,84% entre novembro e dezembro, o acumulado anual revela uma mudança significativa de cenário. Em dezembro de 2024, por exemplo, a cidade havia registrado queda de -1,93% no total de consumidores negativados.
Os números foram divulgados na quinta-feira (19), pela CDL Flores da Cunha e apontam para um agravamento do endividamento ao longo de 2025. Para o presidente da entidade, Jásser Panizzon, o crescimento está ligado principalmente à concentração das dívidas no sistema bancário, aos valores acumulados e ao longo tempo de atraso dos pagamentos, que já ultrapassa dois anos em média.
Em dezembro, cada consumidor negativado devia, em média, R$ 5.971,74. Apesar disso, uma parcela expressiva das pendências é de menor valor: 27,74% dos devedores possuem dívidas de até R$ 500, percentual que chega a 39,78% quando considerados débitos de até R$ 1 mil.
O tempo médio de inadimplência em Flores da Cunha é de 26,3 meses. A maior fatia dos devedores (32,17%) está com contas atrasadas entre um e três anos. Na sequência aparecem consumidores com débitos de quatro a cinco anos (18,41%) e aqueles com atrasos entre 91 dias e um ano (17,76%).
Mais dívidas e perfil dos devedores
Embora tenha havido queda de -0,27% no número de dívidas em atraso na passagem de novembro para dezembro, o comparativo anual mostra avanço de 17,94% entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. O índice ficou abaixo da média da região Sul (18,72%), mas acima da média nacional (17,14%).
Cada inadimplente possuía, em média, 2,356 dívidas em atraso. O setor bancário concentra a maior parte dessas pendências, respondendo por 58,89% do total, seguido pelo comércio, com 14,67%.
O levantamento também traça o perfil dos devedores: a faixa etária mais representativa é a de 30 a 39 anos, com 26,21%, seguida pelos grupos de 40 a 49 anos (21,23%) e de 50 a 64 anos (18,56%). Em relação ao gênero, os homens aparecem levemente à frente, somando 51,94% dos inadimplentes, enquanto as mulheres representam 48,06%.