Rafael Bueno afirma que município cumpriu o contrato e promete medidas duras contra o Ideas
A paralisação parcial dos atendimentos médicos nas UPAs Central e Zona Norte de Caxias do Sul, iniciada na quarta-feira (21), segue nesta quinta-feira (22). Em entrevista à Rádio Solaris FM 99.1, o secretário municipal da Saúde, Rafael Bueno, esclareceu que a Prefeitura realizou os repasses previstos em contrato e responsabilizou a empresa gestora pelo atraso no pagamento dos profissionais.
A mobilização afeta os médicos vinculados à subcontratação realizada pelo Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (Ideas), por meio do Grupo Exímio, mantendo apenas os atendimentos de urgência e emergência nas duas unidades. Situação semelhante já havia sido cogitada no início de dezembro, conforme informações que circularam à época entre profissionais da saúde.
Durante a entrevista, o secretário afirmou que a paralisação, embora gere prejuízos ao atendimento, é legítima diante da inadimplência da empresa e não deve ser descredibilizada. “A Prefeitura repassa integralmente os recursos. O que não é aceitável é segurar salário de trabalhador para fazer caixa. Isso é uma bofetada em quem sustenta o atendimento mesmo em um cenário de superlotação histórica”, declarou.
Segundo Bueno, Caxias do Sul vive atualmente um dos momentos mais críticos da rede de saúde, com dezenas de pacientes aguardando leitos hospitalares, número que, segundo ele, supera inclusive períodos da pandemia.
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Sindicato aponta descumprimento de acordo
A paralisação foi anunciada pelo Sindicato dos Médicos de Caxias do Sul, que encaminhou ofício ao prefeito em exercício, Edson Néspolo, informando que a decisão foi tomada após o descumprimento de um acordo firmado na presença do secretário da Saúde Rafael Bueno.
De acordo com o documento, o compromisso previa o pagamento dos médicos “até 20 dias corridos do mês subsequente ao trabalhado”, o que não teria ocorrido em janeiro. O sindicato afirma ainda ter conhecimento de que os valores foram repassados pela Prefeitura às empresas dentro do prazo legal.
Prefeitura confirma repasses e anuncia sanções
Em nota oficial divulgada na tarde de quarta-feira, a Prefeitura de Caxias do Sul informou que realizou, no dia 7 de janeiro de 2026, o repasse mensal referente aos contratos de gestão das UPAs Central e Zona Norte. Já no dia 9 de janeiro, foi efetuado o repasse do complemento do piso nacional da enfermagem, ambos dentro dos prazos previstos.
A administração municipal destacou que a execução dos pagamentos aos médicos, fornecedores e prestadores de serviço é de responsabilidade exclusiva do instituto gestor, conforme estabelecido nos contratos, e afirmou que vem cobrando sistematicamente a regularização da situação para evitar desassistência à população.
Durante a entrevista, Rafael Bueno confirmou que o Instituto Ideas já foi notificado formalmente por inadimplência e descumprimento contratual. Segundo ele, o município pode aplicar multas, impedir a empresa de contratar com o poder público e até rescindir unilateralmente o contrato.
“Eles não vão transformar Caxias do Sul em laboratório de precarização da saúde. Aqui nós vamos agir com mão de ferro. Se não se ajeitar nas próximas horas, a rescisão está sendo avaliada”, afirmou.
Atendimento segue restrito e orientação à população
Com a paralisação parcial mantida, as UPAs seguem atendendo apenas casos de urgência e emergência. A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) orienta que a população procure as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) para situações leves, como sintomas gripais, dores comuns e outros atendimentos de baixa complexidade.
O secretário garantiu que a assistência não vai ser interrompida e afirmou que o município possui planos de contingência para garantir o atendimento, mesmo diante de um eventual rompimento contratual. “A população não ficará desassistida. Temos plano A, B e C. O que não vamos admitir é brincarem com a saúde de Caxias do Sul”, concluiu.