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Violência doméstica tende a crescer com isolamento social

Escrito por em abril 8, 2020

No entanto, delegacias da região apontam uma queda em março após a pandemia do coronavírus

A medida em que a população tem acatado a quarentena, na tentativa de evitar a disseminação da pandemia do coronavírus, um outro, não tão velho assim desafio, aponta no contexto do isolamento social: a violência doméstica, que aumentou em alguns municípios e estados logo após as restrições impostas pelo governo. No Brasil, a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos (ONDH) anunciou aumento de 9% das denúncias atendidas pelo “Ligue 180.”

Por violência doméstica, compreende-se qualquer tipo de violência ocorrida dentro do âmbito familiar, não só contra as mulheres, mas também idosos, crianças e homens podem ser vítimas. E antes era mais nos finais de semana quando as famílias ficavam em casa e agora percebe-se praticamente todos os dias.

A Polícia Civil prevê um aumento na demanda de atendimento dos casos de violência doméstica após a situação se normalizar depois da passagem da pandemia do novo coronavírus no Rio Grande do Sul. A delegada Aline Martinelli, titular da DP de Flores da Cunha, não observa tanto crescimento, pelo contrário, os números de violência doméstica no município reduziram em março comparado com o mesmo período do ano passado. Segundo ela, embora tenha ocorrido diminuição do número de procedimentos, as mulheres poderão estar mais sujeitas a violência em seus lares. “Por isso, em que pese a quarentena as polícias encontram-se a disposição para resguardar o direito das mulheres. Os serviços continuam atendendo normalmente”, frisa Aline.

Conforme dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública, a DP de Flores da Cunha registrou em fevereiro deste ano, 12 casos de ameaça contra a mulher, enquanto que em março, quando surgiram os casos de coronavírus, foram oito. Também houve queda nos índices de lesão corporal. Foram seis casos em fevereiro e três no mês passado. “Não podemos deixar aumentar os casos de violência doméstica em meio ao isolamento!” pondera Aline.

A mesma opinião tem a delegada Carla Zanete, titular da Delegacia Especializada de Atendimento Para a Mulher de Caxias do Sul (Deam). No entanto, ela explicou que está difícil neste momento verificar se houve ou não um crescimento das ocorrências de violência contra a mulher. Conforme ela, muitos dos casos estão sendo registrados na Delegacia Online e muitos são encaminhados aos disques denúncias (telefones 180 ou 100). “A tendência é que a violência doméstica aumente entre as famílias por causa de mais tempo de convívio, mas em Caxias não percebemos um aumento no número de casos depois das restrições do coronavírus, até o momento”, destaca a delegada.

Pelos números da Secretaria Estadual de Segurança Pública, em Caxias do Sul foram registrados em março 75 ocorrências de ameaça contra a mulher contra 90 em fevereiro. Já os índices de lesão corporal se mantiveram com 69 casos nos dois meses. A delegada orienta que nos casos de crimes graves e estupro, existindo a necessidade de solicitação de medida protetiva a vítima precisa comparecer pessoalmente na delegacia mais próxima. Nas demais situações, salienta, pode ser feita a ocorrência na Delegacia Online. O atendimento é gratuito e funciona 24 horas por dia.


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