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Setor de eventos comemora volta, mas com cautela e apreensão na região

Escrito por em outubro 28, 2020

Mesmo com retorno às atividades decretada pelo governo estadual, proprietários de casas infantis, por exemplo, acreditam em recuperar perdas em 2021

Diante da redução dos indicadores de propagação do coronavírus no Rio Grande do Sul, o governo do Estado, depois de amplo debate com representantes do setor e análise do Gabinete de Crise, liberou, a partir de decreto, a realização de eventos infantis em buffet, casas de festas ou similares. Esses eventos só poderão ser realizados em regiões que estejam há pelo menos 14 dias seguidos em bandeira amarela (nível baixo) e laranja (risco médio). Na bandeira laranja, como caso da região de Caxias do Sul, o número máximo permitido é de 70 pessoas. Em ambas as classificações de risco, a duração das festas deve ser de até quatro horas.

Assim como os demais eventos já liberados pelo Estado, a realização só poderá ocorrer em cidades que autorizaram e que estão no processo de retomada escolar. A condição foi estabelecida como forma de elencar uma prioridade na retomada de atividades. Além disso, em ambas as bandeiras, os organizadores dos eventos devem seguir as normas estabelecidas pelas portarias da Secretaria Estadual da Saúde, sobre serviços de alimentação e eventos.

Com portas fechadas desde as primeiras medidas de restrições referentes à Covid-19, as casas de eventos da Serra têm passado por dificuldades financeiras em um cenário que se estende a todos os prestadores de serviços ligados ao setor. O agravamento constante da situação, somado à reabertura de restaurantes e escolas autorizada pelo governo do Estado, assim como a retomada de eventos corporativos, motivou uma mobilização estadual de empresários do ramo, ação que também tem participação local.

Casas Infantis

As casas de festas infantis é um dos setores que mais sofreram com a pandemia. As mesas deverão ter um distanciamento de dois metros e os brinquedos deverão ser higienizados após cada uso. Cada evento também não poderá ultrapassar quatro horas de duração e as festas ficam proibidas em caso de bandeira vermelha (risco alto) ou preta (risco altíssimo).

Embora a retomada seja um alento para o setor, a recuperação dos prejuízos deve ficar mesmo para 2021. O motivo é que as festas costumam ser agendadas com antecedência e boa parte delas foi cancelada ou remarcada para o ano que vem. Pessimista, a empresária Cátia de Bastiani não acredita que este decreto vai perdurar por muito tempo. “Estou cautelosa e não estou agendando festas, porque é só mudar a cor da bandeira que ficaremos com as festas penduradas novamente”, diz a proprietária de uma casa de eventos infantis de Caxias do Sul. Segundo ela, os prejuízos em todo este período sem abrir, são incalculáveis e não há previsão de quando irá reabrir, apesar do decreto estadual. “Não acredito que essa liberação vai ficar por muito tempo. Acho que é só passar as eleições e tudo mudará novamente. Gostaria de poder pensar diferente, mas infelizmente não acredito em retorno permanente”, afirma.

Para Daiane Parizotto, uma das proprietárias da Armazém da Festa, loja de artigos e eventos infantis de Flores da Cunha, o período sem festas reduziu o faturamento, mas foi possível se reinventar e desenvolver a criatividade. “Podemos dizer que passamos pelos dois lados. Claro que o faturamento foi muito reduzido e perdemos vários eventos grandes. Sentimos falta de estar com as pessoas, de sentir as emoções, porém por outro lado descobrimos o potencial da loja e descobrir novos talentos e estar mais perto intimamente das pessoas realizando as festas em casa. Resumindo, um período difícil, mas de muito aprendizado”, pondera.

Proprietárias da Armazém da Festa de Flores da Cunha procuraram se reinventar

Sindilojas

O Sindilojas Caxias comemora o retorno gradual das atividades. “Devemos retornar às nossas atividades, com todos os cuidados,  seguindo todos os protocolos, porém o setor de eventos travou a economia,  fechando muitas empresas. Cito aqui empresas do comércio, que por não terem eventos, também não tem venda de produtos seja na linha de confecção, calçados, acessórios, aluguéis de roupas para festas. A volta é salutar e uma hora ou outra precisamos retomar”, salienta a presidente Idalice Manchine, que também lembra que a região está há cerca de três meses na bandeira laranja (risco médio) para o Covid-19 com folga nas internações e na expectativa da bandeira amarela”, completa.

Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Flores da Cunha, o setor de eventos, de fato, é o que mais sofreu com as restrições que os governos impuseram no controle da disseminação da Covid-19, e o retorno diante dos indicadores recentes é mais do que justo. “Várias incoerências ficaram visíveis nas ações tomadas pelos governos e acredito que estamos caminhando para uma congruência, unindo cuidados com a saúde e atividade econômica”, avalia Jásser Panizzon.

Alterações para o setor de eventos

• Eventos sociais e de entretenimento em buffets, casas de festas, casas de shows, casas noturnas ou similares, em ambientes fechados e com público em pé:

A realização desse tipo de evento fica permitida desde que a região esteja há 28 dias seguidos sem bandeira vermelha ou preta.

Na bandeira amarela, o público máximo permitido será de 100 pessoas, entre trabalhadores e público, respeitando o teto de ocupação (oito metros quadrados por pessoa) e distanciamento estabelecido no modo de operação.

Na bandeira laranja, o público máximo permitido será de 70 pessoas (entre público e trabalhadores).

Em ambos os casos (bandeiras amarela e laranja), os eventos devem ter, no máximo, quatro horas de duração.

• Eventos sociais e de entretenimento em ambiente aberto, com público em pé

Esses tipos de evento podem ocorrer em regiões Covid que estiverem há 14 dias seguidos sem bandeira vermelha ou preta.

Em locais com consumo de alimentos ou bebidas, será permitido 40% de lotação prevista no Plano de Prevenção Contra Incêndio (PPCI), respeitando o teto de ocupação de oito metros quadrados por pessoa e distanciamento estabelecido no modo de operação.

Em locais que não ofertam bebidas ou comida, a lotação máxima poderá ser de 50% da lotação prevista pelo PPCI, respeitando o teto e o distanciamento.


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