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“Saiu fora do nosso planejado”, diz sargento, um dos três bombeiros que passaram a noite próximo ao Rio das Antas

Escrito por em outubro 17, 2019

Luciano Maier ficou quase 12 horas sem comunicação com guarnição após ter participado das buscas ao jovem de 15 anos, que morreu afogado, em Flores da Cunha. Localização dos três bombeiros (dois de Vacaria e um de São Marcos) ocorreu na manhã desta quinta-feira, em Nova Roma do Sul

Três bombeiros da região passaram por momentos de tensão desde o começo da tarde desta quarta-feira, dia 16, até a manhã desta quinta-feira, após terem participado do resgate do corpo do adolescente Victor Garcia Maciel, 15 anos, que morreu afogado no Rio das Antas, em Flores da Cunha. O sargento Luciano Maier Rodrigues, natural de Caxias do Sul, 44 anos, mas lotado no pelotão de Vacaria; o soldado Emérson Simioni Ribeiro, 27, também de Vacaria, e o soldado Douglas Flores Vaz, 28, da corporação de São Marcos, foram encontrados por volta das 8h45min em Nova Roma do Sul próximo a hidrelétrica de Castro Alves, quase na divisa com Nova Pádua.

Os três ficaram em um bote nas águas do rio durante toda a noite por cerca de 12 horas. Uma pane na embarcação em que eles estavam, aliada a uma forte correnteza, fez com que a equipe não conseguisse voltar ao ponto de encontro, na Capela Santo Antônio, em Flores da Cunha, ainda na quarta.

Eles deveriam ter retornado por volta das 18h. O corpo do menino, que sumiu por volta do meio-dia de domingo enquanto pescava com familiares no Rio das Antas, às margens da ERS-122 quase na divisa com Antonio Prado, foi localizado em torno das 18h30min desta quinta-feira, pelos bombeiros – seis militares de Flores da Cunha, Caxias do Sul, São Marcos e Vacaria participaram das buscas.

Abatidos, cansados e com fome, eles chegaram no quartel de Flores da Cunha em torno das 10h15min de hoje. Apesar da experiência de 20 anos na profissão, o sargento Maier diz que foi uma situação tensa. “Em nenhum momento cessamos as buscas ao garoto (Victor Maciel). Tivemos uma pane no nosso bote e não conseguimos retornar ao ponto. As horas foram passando e optamos por manter a nossa energia e passar a noite em cima da embarcação e procuramos manter a calma e esperar o clarear do dia. Tem um ditado que diz: quando estiver perdido, se oriente, mantenha a calma e se alimente. Foi o que fizemos. Durante a madrugada, a temperatura baixou muito e nos alimentamos quase nada”, recorda.

Segundo Maier, até havia a possibilidade de parar na margem do rio para passar a noite, mas eles optaram por seguir remando devido à necessidade de se manterem aquecidos. “ Passar um pernoite em algum local é até uma característica do bombeiro, mas ainda não tinha passado por esta, porém o importante foi manter a calma. Saiu fora do nosso planejado. Objetivo era encontrar o corpo e dar um alívio para aquela família. Foi mais uma experiência para nossa carreira e felizmente deu tudo certo”, avalia. Ao todo, eles se deslocaram por pelo menos 15 quilômetros entre o local das buscas e a hidrelétrica, onde foram encontrados.

Ouça entrevista com o coronel Julimar Fortes e o sargento Luciano Maier

Sargento Maier: “Com 20 anos de profissão, nunca tinha passado por esta experiência”, declara

O tenente-coronel Julimar Fortes Pinheiro, responsável pelo 5º Batalhão de Bombeiros Militar (5° BBM), afirma que a experiência da equipe, principalmente do sargento Maier, foi essencial para que tudo corresse bem. “Na verdade eles tiveram dificuldade pela forte correnteza do rio e como eles estavam em uma embarcação de rafting, não conseguiram voltar para o ponto de encontro e desceram bastante e se abrigaram junto a barragem (usina hidrelétrica Castro Alves). Como não tínhamos a comunicação, ficou mais difícil a localização e esperamos o amanhecer de hoje para resgatá-los”, salienta o oficial.

Fotos: Rogério Costanza/Grupo Solaris

Coronel Fortes: “Situação foi preocupante”, afirma

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