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Ribeirinhos e produtores ainda lutam por água potável em Brumadinho

Escrito por em setembro 26, 2020

Fornecimento de água depende de caminhões pipa em 16 comunidades

Quem vive nas margens do Rio Paraopeba ainda enfrenta dificuldades para tocar a vida devido aos efeitos do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, da mineradora Vale, tragédia que completou 20 meses nesta semana. O fornecimento de água depende de caminhões pipa em 16 comunidades situadas em Brumadinho (MG) e em cidades vizinhas. Isso porque a captação direta no trecho do rio mais poluído pelos rejeitos de mineração continua proibida pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), órgão vinculado ao governo de Minas Gerais.

Ao mesmo tempo em que ribeirinhos e produtores rurais tentam retomar suas produções, agricultores de áreas que não foram afetadas pela lama e que utilizam água de outros mananciais ainda enfrentam o receio em relação a contaminação de seus produtos. A área atingida não representa sequer 0,01% do território de Brumadinho. Em meio a uma variedade de situações e diversas reivindicações, a Vale responde anunciando programas de reparação e de compensação dos danos: o mais recente promete fomentar toda a cadeia produção e comercialização da agricultura familiar.

“Meu pai não está fazendo mais irrigação. Está contando com água da chuva e não planta nem 10% do que plantava”, lamenta a auxiliar administrativa e estudante Nayane França, filha do agricultor Eustáquio Gomes Pereira.

Após o rompimento da barragem ocorrido na mina Córrego do Feijão em 25 de janeiro do ano passado, uma onda de 11,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos destruiu comunidades e retirou a vida de 270 pessoas. Boa parte desse volume alcançou a calha do Rio Paraopeba, que margeia a propriedade de Eustáquio.

O terreno não chegou a ser invadido pela lama, mas o agricultor perdeu mudas que havia encomendado e pago, porque a estufa do fornecedor foi destruída. Sem poder captar água do rio, também não conseguiu manter o vigor da produção de mexerica, jiló e pimentão, entre outras culturas agrícolas.

Mesmo nas comunidades onde vem ocorrendo fornecimento por meio de caminhões pipa, a irregularidade incomoda. Há queixas relacionadas à perda de autonomia, uma vez que o trabalho se dá em função da periodicidade de abastecimento. Na comunidade da Reta do Jacaré, em Mário Campos, produtores chegaram a protestar alegando uma recente redução no volume do fornecimento, o que estaria ameaçando a plantação. Como alternativa, alguns atingidos tentaram furar poços artesianos. A captação subterrânea é autorizada pelos órgãos ambientais para quem está a mais de 100 metros da margem do rio. Mas nem sempre essas tentativas são bem sucedidas.

O fornecimento de água tem sido feito pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), empresa estatal responsável pelo abastecimento da maioria das cidades mineiras. Segundo a estatal, entre janeiro de 2019 e julho de 2020, foram distribuídos mais de 800 milhões de litros de água potável às 16 comunidades. Este volume, captado em três estações de tratamento situadas nos municípios de Juatuba, Pompéu e Curvelo, é transportado diariamente por meio de 50 caminhões pipas.

Para intensificar ações vinculadas à constatação, reparação ou compensação dos danos, o Igam e outros órgãos ambientais do governo mineiro costuraram um acordo com a Vale para contratação temporária de 40 profissionais. Paralelamente, a mineradora dá andamento ao programa Marco Zero anunciado no início do ano, que prevê a reconstituição das condições originais do Ribeirão Ferro-Carvão e a revegetação com plantas nativas da região das matas ciliares, além da recuperação do Rio Paraopeba.

Fonte: Agência Brasil


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