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Retorno das aulas presenciais divide opiniões de mães em Flores da Cunha

Escrito por em março 29, 2021

Por um lado, está a preocupação com a carência no aprendizado; por outro, a preocupação de que a escola seja um ambiente de propagação do coronavírus

Fechadas durante a maior parte do período de pandemia, as escolas da rede pública e privada precisaram se readaptar para tentar atender aos desafios das aulas à distância. A equipe de reportagem da Solaris 99.1 FM conversou com algumas mães de Flores da Cunha que avaliam que para pais e filhos o desafio está sendo ainda maior. Se antes, as crianças passavam metade do dia na escola, agora, elas precisam acompanhar a aula de casa e, dependendo da idade, precisam do acompanhamento de um adulto para auxiliar no processo.

Sandreli Berner Marteninghi é mãe do José Pedro, de 5 anos, e é favorável ao retorno das aulas. “Eu me sinto supersegura de mandar meu filho pra escola”, conta a mãe, ao garantir que a escola cumpre uma série de diretrizes que visam o controle de contágio por coronavírus. Ela argumenta que, durante o breve período em que as aulas presenciais haviam sido retomadas, os alunos tinham sua temperatura aferida na entrada da escola e, em caso de estar elevada, eram orientados a permanecer em isolamento domiciliar. Também cita o uso e a correta troca das máscaras faciais, bem como o processo de higienização com álcool em gel empregado nas escolas.

De acordo com Sandreli, as crianças precisam brincar com seus colegas, porém, o aprendizado à distância faz com que muitas percam o contato com outras crianças, o que pode afetar o seu estado psicológico. Nas palavras da mãe, a pouco tempo atrás, durante o retorno presencial temporário da Educação Infantil, “o José Pedro era outra pessoa: sorria e gargalhava, quando chegava em casa contava tudo que tinha visto no seu dia a dia; isso pros pais não têm preço”. Quando questionado sobre o que mais sente falta da escola, o menino admite que sente falta “dos coleguinhas”.

Bianca, também com 5 anos, é colega de aula do José Pedro. Segundo sua mãe, Michele Schiavenin Guaresi, “eles estão numa fase em que precisam brincar, e é interessante poder ter contato com outras crianças para poder se socializar”. Ela também é favorável ao retorno das aulas presenciais, especialmente de sua filha, que está em processo de alfabetização. “Por mais que tu tentes transformar a tua casa em um ambiente escolar, não é o mesmo que a escola”, desabafa.

A preocupação da mãe de Bianca também está relacionada às pequenas distrações que as crianças encontram dentro de casa: “elas se distraem com a TV, tem brinquedos, se distraem por qualquer motivo”. Michele, que também é professora, aponta a falta que o professor faz no processo de aprendizado, principalmente no processo de alfabetização: “nós estamos tendo que ensinar nossos filhos a ler e escrever”. Isso tudo sem contar o fato de que muitos famílias passam por dificuldades financeiras para prover uma boa conexão de internet ou arcar com um computador.

Por outro lado, muitos pais são contra o retorno das atividades presenciais, a exemplo de Lindamar Debastiani, mãe da Luciana, de 15 anos. “Sou contra a volta das aulas antes da imunização de todos os professores e alunos”, declara a mãe. Ela conta que alguns dos membros da família, que moram na mesma residência, são do grupo de risco para infecções da Covid-19. Dessa forma, por mais que a filha seja jovem e saudável, a mãe também se preocupa que ela acabe trazendo o vírus para dentro de casa.

De acordo com Lindamar, a filha passou um ano inteiro estudando em casa, em frente ao computador, e essa mudança não afetou o seu desempenho escolar. “Eu quero ter o direito de escolher se minha filha vê a aula pela internet ou se ela vai pessoalmente na escola”, explica a mãe. Por outro lado, ela conta que seu sobrinho Mateus, de 5 anos, tem dificuldade para conseguir prestar atenção na aula e fazer as atividades e precisa do apoio da prima Luciana, que eventualmente ajuda o menino.

Como educadora física, a mãe Michele alerta que as crianças precisam se movimentar e que a falta do período de recreio e das aulas de educação física no ambiente escolar estão prejudicando muito no desenvolvimento motor dos pequenos. “As crianças tendem a ficar mais descoordenadas, ter dificuldades para realizar alguns movimentos; a longo prazo pode ser muito prejudicial”, enfatiza.

O retorno ou não das creches, escolas de educação infantil, fundamental e médio, divide opiniões. Por um lado, existe a preocupação com a carência no aprendizado, no processo de socialização e no desenvolvimento motor das crianças. Por outro, a preocupação de pais que temem pela saúde de seus filhos, bem como de si próprios e outros familiares que estão no grupo de risco da Covid-19.


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