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Psicóloga avalia: O que iremos aprender com a pandemia?

Escrito por em julho 8, 2020

É importante olhar para o que fica, e para o que podemos aprender

Que a Covid-19 domina o noticiário brasileiro desde meados de março, já é de conhecimento geral, que os cuidados pessoais são extremamente importantes para prevenir a disseminação da doença, também. Porém, a pandemia nos deu ainda a possibilidade de refletirmos mais sobre nossos comportamentos e o que realmente precisamos aprimorar para nos tornarmos melhores, como pessoas e como sociedade.

Quando tudo isso começou, era comum ver filas nos supermercados e farmácias, pessoas estocando comida, álcool gel, entre outros produtos, sem pensar que outras pessoas ficaram sem ter acesso aos mesmos produtos. O pensamento coletivo não está em alta em nossa sociedade.

E se a pandemia terminasse nesse exato momento, o que aprendemos? Para buscar possibilidades de resposta, buscamos o auxílio da psicóloga Luana Dondé Tochetto Scopel.

De acordo com a profissional, “a pandemia nos tirou muito, principalmente a sensação de segurança e controle que até então tínhamos. Esse tirar fez com que tivéssemos várias perdas, o que nos trouxe muito sofrimento e insegurança. Porém, é importante olhar para o que fica, e para o que podemos aprender com ela. Pessoas que podem se conectar consigo mesmas em meio a crise, tendem a criarem resiliência, se fortificando. Essa resiliência, faz com que possamos estar organizados psiquicamente, passando por momentos adversos e difíceis da vida, nos reconstruindo e ressignificando muitas coisas. Resiliência é a capacidade de passarmos por situações difíceis, desenvolvendo forças”.

Luana acredita que, antes da pandemia, aplicávamos a palavra empatia da forma errada. “Fazíamos pelo outro o que achávamos melhor fazer, porém, após a pandemia, vê-se que as pessoas estão se importando com o que o outro realmente necessita, que nem sempre é o que achamos ser melhor a ele, exemplos disso são pessoas que disponibilizam sua ajuda a vizinhos, idosos e indivíduos que não podem sair de suas casas, através de uma compra em mercado, uma comida quentinha, remédios, orações, palavras que acalmam”.

A pandemia evidenciou as múltiplas possibilidades que temos, por exemplo, de manter contato com pessoas, mesmo sem a presença física. Porém, isso nos faz valorizarmos mais o contato. “A crise fez com que mesmo que não podendo estar perto presencialmente, possamos ser presença virtualmente. É dado mais valor para o abraço e para o contato físico, pois além de estarmos longe de muitas pessoas que amamos, estamos diante do maior medo que uma pessoa pode ter, a perda de um ente querido”.

A tecnologia agregada à educação

Conforme Luana, professores e alunos precisaram se adaptar com aulas virtuais, trabalhadores precisaram se adaptar com o home office. Antes reclamávamos muito da tecnologia, dizendo que ela era negativa pois afastava as pessoas do mundo real, hoje, a tecnologia é um dos únicos recursos que mantém as pessoas próximas. Além de ser um recurso para que os alunos continuem tendo aulas e que muitos trabalhadores não percam seus empregos.

Quais ensinamentos a pandemia vai nos dar?

“É provável que as mudanças ocorram durante e após a pandemia, dizemos que toda vez que passamos por uma crise, saímos dela diferentes. Perdemos muito com ela, mas crescemos e aprendemos muito com ela. Não é só o mundo que muda, através de rios mais limpos, ar mais puro, menos trânsito, menos correria. Mudamos também o nosso jeito de olhar o mundo, de valorizar as pessoas que amamos”.

“Estar em pandemia fez com que muitas pessoas viajassem interiormente, o que até então não tinham tempo para tal. O olhar interno é desafiador e difícil, mas muito importante, pois é através desse olhar que conseguimos ter acesso ao que realmente precisamos, e isso é individual e subjetivo”.

“Acredito que todas as pessoas que puderem ter um olhar para si mesmas durante a pandemia, não negando seus sentimentos e emoções, podendo encontrar recursos e novas formas de adaptação, sairão dela muito mais fortificadas, ressignificando o momento. Essa construção é individual e social e depende de cada um de nós”, finaliza Luana.

Fonte: Grupo Solaris – Repórter Luiz Augusto Filipini.


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