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Promotor afirma que até 60% das hamburguerias de Caxias do Sul adquiriam carne de cavalo de empresa clandestina

Escrito por em novembro 18, 2021

Em conversas de WhatsApp foram encontrados 20 pedidos de estabelecimentos para entrega entre quarta (17) e quinta-feira (18)

Na manhã desta quinta-feira (18), em entrevista coletiva realizada na sede do Ministério Público (MP) em Caxias do Sul (RS), o promotor de Justiça Alcindo Luz Bastos da Silva Filho, falou sobre a operação que investiga a organização criminosa que comercializava carne de cavalo para hamburguerias e restaurantes da cidade. Alcindo Bastos afirmou que há informações preliminares de que em torno de 60% das hamburguerias de Caxias adquiriam produtos desse grupo clandestino.

Ao todo, 800kg de carne eram comercializados por semana. Até o momento, somente dois estabelecimentos foram comprovadamente ligados ao esquema. O DNA de cavalo foi identificado na carne de lanches adquiridos no: Mírus Hambúrguer Ltda. ME e Natural Burguer do Bairro Sagrada Família. O MP esclarece que a unidade do Natural Burguer do Bairro Cruzeiro ainda não passou por análise. Nas redes sociais circula uma lista com o nome de dezenas de estabelecimentos ou o nome do proprietário e, ao lado, a quantidade de carne encomendada para o próximo pedido. O MP ainda não divulgou o nome dos demais estabelecimentos em razão da necessidade de comprovação através do teste de DNA.

Sobre a suspeita de que a empresa abasteceria a maior parte das hamburguerias de Caxias do Sul, chegando a 60%, o promotor esclarece: “Isso será investigado, mas, desde já, reforça a importância de que os estabelecimentos jamais adquiram produtos sem inspeção”, adverte.

No celular de um dos envolvidos foram encontradas conversas de WhatsApp com funcionários de 20 estabelecimentos comerciais que estavam fazendo pedidos entre esta quarta (17) e quinta-feira (18) em Caxias do Sul. A venda era feita para hamburguerias, lancherias e mercados.

A investigação, iniciada há cerca de dois meses, teve início a partir de notícias da Inspetoria de Defesa Agropecuária de Caxias do Sul, que relatou ao MPRS a existência de abate clandestino de cavalos, com posterior trituração da carne, para venda a estabelecimentos comerciais que utilizam carne moída como ingredientes, em Caxias do Sul e região, além da alimentação de suínos com restos de comida de restaurantes.

O abate dos animais vinha sendo realizado em uma chácara no distrito de Forqueta. A estratégia era adquirir animais a baixo custo, muitas vezes sendo oriundos de furtos. Há indícios de que alguns dos cavalos abatidos pelo grupo seriam subtraídos de carroceiros, sendo que os próprios carroceiros estariam furtando os cavalos uns dos outros para fornecer ao abate para o grupo criminoso.

As escutas telefônicas apontam também a utilização de carne estragada, lavada para tirar o odor e misturada a outras na confecção dos hambúrgueres.

De acordo com o MP, a operação está sendo realizada por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) – Segurança Alimentar. Ao todo, nesta quinta-feira (18) foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão referentes a oito alvos.

Alcindo Luz Bastos da Silva Filho coordenou a operação

Fotos: Tiago Coutinho | MPRS


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