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Perdas no comércio caxiense chegam a quase 90%

Escrito por em abril 15, 2020

Sindilojas e CDL querem a reabertura das lojas já nesta quinta-feira

Ruas vazias, lojas e shoppings fechados. Este cenário de angústia e incerteza que iniciou dia 21 de março por conta do coronavírus trouxe prejuízos seríssimos para o comércio. Mesmo com a volta de alguns estabelecimentos somados aqueles que não fecharam suas portas por serem considerados serviços essenciais, dificilmente o setor vai recuperar as perdas nos próximos meses. Os mais afetados são os pequenos e médios empresários que amargam uma perda de cerca de 90% do faturamento.

O Sindicato do Comércio Varejista de Caxias do Sul realizou uma pesquisa informal com seus associados caxienses. As empresas ouvidas pela entidade registraram, em média, 87% de perdas no faturamento. A presidente Idalice Manchine acrescenta que o número não é ainda pior porque também participaram do levantamento empresas que já trabalhavam com e-commerce. “As empresas ouvidas que não trabalhavam anteriormente neste formato registraram perdas entre 97% a 100% no seu faturamento em relação ao período que estavam abertas”, explica.

O desemprego também é outra situação muito preocupante. Previsões mais pessimistas apontam que, a depender da duração da pandemia, o Brasil poderá contabilizar mais 8 milhões de desempregados, aumentando o total a 20 milhões – uma catástrofe social e econômica. O Sindilojas não possui nenhum balanço oficial sobre demissões, já que muitos lojistas ainda estão com funcionários em férias.

Conforme Idalice, a situação está quase insustentável. “Praticamente 90% dos nossos lojistas são de pequeno porte e com poucos recursos de faturamento e que estão sofrendo mais. Sem capital de giro, 100% deles querem voltar ao trabalho”, afirma a presidente do Sindilojas, que promete recorrer aos Ministério Público caso o prefeito Flávio Cassina não acate a ação protocolada no Fórum local de tutela de urgência pedindo a reabertura do comércio com capacidade reduzida e com todos cuidados de higienização a partir desta quinta-feira, dia 16, um dia após o decreto do governador Eduardo Leite. “É possível a recuperação, mas será lenta e demorada”, diz Idalice, pessimista.

Flexibilização

Atualmente, os serviços permitidos atuam com 25% da força de trabalho em Caxias do Sul.  O documento também argumenta que a flexibilização ocorrida com a publicação do Decreto Municipal nº 20.866, que permite a atuação de restaurante e de serviços que geram grande contato interpessoal, como salões de beleza e barbearia, em Caxias do Sul causa um ônus desproporcional ao setor em relação a outros segmentos econômicos que estão podendo exercer suas atividades de portas abertas. 

A queda nas vendas é inevitável. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) diz que as perdas já são sentidas em todos os setores. Somente na primeira quinzena de março, o volume de receitas do segmento encolheu 16,7% em relação ao mesmo período do ano passado — uma perda equivalente a R$ 2,2 bilhões.

Dos três grandes setores da economia, o comércio de bens, serviços e turismo (terciário) é o que apresenta maior potencial de impacto negativo. Se a quarentena durar até o final de abril o prejuízo no comércio varejista caxiense será em torno de R$ 144 milhões, estima o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Caxias do Sul. Conforme Renato Corso, o setor tem um prejuízo financeiro por dia de R$ 3,6 milhões. “Os lojistas estão apreensivos e querem a volta imediata. Já são quase 30 dias sem abrir as portas. Alguns não abrirão mais e demissões devem ocorrer. O lojista terá que se reinventar, alguns já fazem isso, mas os reflexos já estão aparecendo”, explica.

Segundo ele, as vendas de Páscoa também acarretaram prejuízo, embora algumas lojas do ramo abriram suas portas quase que nas vésperas da data. “Alguns comerciantes chegaram a ter 35% de queda nas vendas”, frisa Corso, lembrando que uma pesquisa da CDL tinha uma estimativa de um gasto médio de R$ 130,00 nas compras da data mais doce do ano.

A economia caxiense tinha previsão de crescer de 7% a 8% em 2020. A CDL de Caxias do Sul tem mais de 4,3 mil associados. Do total, 2.961, ou 69%, são micro e pequenas empresas. O setor gera 28 mil empregos formais e responde por 28% do Produto Interno Bruto (PIB) do Município, com faturamento anual de R$ 2,1 bilhões.

Fecomércio

Um levantamento da Fecomércio RS mostra que 75% dos pequenos negócios estão sendo afetados negativamente pela crise e mais de 70% destes estão no setor de indústria e prestação de serviços. No entanto, 16% estão sendo impactados de forma positiva e, entre eles, a maioria é do setor de comércio. Dentre aqueles que não estão sendo afetados, 28% encontram-se no agronegócio.

FLORES DA CUNHA

Em Flores da Cunha a situação não é diferente. Conforme o presidente da CDL florense, Jásser Panizzon, muitos comerciantes exercitaram a criatividade para amenizar os prejuízos das restrições. “Contudo, as perdas serão significativas, principalmente aqueles que não puderam receber os pagamentos no início do mês. Aproximadamente 90% dos negócios empregam no máximo nove funcionários, sendo majoritariamente pequenas empresas familiares, com capital de giro extremamente limitado e incapazes de sobreviver mais do que alguns dias na inatividade. Alguns estão pensando em encerrar as atividades e inevitavelmente teremos demissões. Temos trabalhado incansavelmente para que nossos governantes administrem essa crise de forma coerente”, afirma.

De acordo com Panizzon, estima-se que no país o setor de comércio e serviços seja impactado negativamente em mais de R$ 100 bilhões nos próximos meses. “Isso tendo como premissa a normalização das atividades a partir de maio. Caso os efeitos da pandemia avancem além desse período, o impacto poderá ser ainda maior”, estima, acrescentando que as perdas podem chegar a 50% do faturamento no comércio florense.

Setor não deverá recuperar perdas neste semestre

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