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Mães e esposas de caminhoneiro: Uma dupla jornada

Escrito por em maio 8, 2021

Por 25 anos, uma mãe e esposa de caminhoneiro teve que criar seus filhos integralmente enquanto o marido viajava

A Equipe de Jornalismo da Rádio Solaris 97.3 de Antônio Prado em homenagem ao Dia Das Mães (09), produziu uma série de três matérias sobre mulheres e suas experiências com a maternidade. Histórias diferentes, dentre tantas outras, que se encontram no principal fundamento, o amor.

Em uma cidade de muitos caminhoneiros, como é Antônio Prado, a rotina de muitas mães, semi solo, esposas destes profissionais, segue uma rotina pré-definida: Cuidar dos filhos, resolver as questões do dia a dia, entre tantas outras funções, sem contar com o auxílio do pai que ao contrário de muitos que se ausentam da criação de seus filhos por simples escolha, estes deixam os seus para ir em busca do sustento da casa.

E a história que vamos abordar é a da dona de casa Terezinha Reginato Geremia, mãe de dois filhos: Charles hoje com 33 anos e Lucas, com 27. Tere, como é conhecida, nos contou nesta reportagem como foi criá-los, enquanto seu marido Adiles Antônio Geremia trabalhava como caminhoneiro.

“Tinha épocas que ele ficava 40 dias fora de casa, outras ele ficava em média de oito a quinze dias longe. Quando vinha, chegava à noite, dormia e no outro dia pela manhã já ia embora”, contou Tere.

Quando o primogênito Charles nasceu em 1988, seu marido, Adiles estava em casa dias antes do nascimento, mas logo que o pequeno nasceu precisou novamente partir em viagem. Tere ficou então na companhia dos sogros com quem morava na época.

Já na gravidez do caçula Lucas, Tere passou a gestação apenas na companhia do pequeno Charles, com então seis anos enquanto o marido trabalhava. “Eu dizia pro Adiles, mas o que eu faço aqui com duas crianças pequenas? E ele me dizia: Mas quer que eu faça o quê? Eu preciso trabalhar, não tenho como ficar em casa.”

Tere se deslocava com os filhos a pé pela cidade, para levá-los a escola, ao médico e onde mais precisassem ir. “Eu pegava um pela mãozinha, o outro no colo e levava aos lugares, depois na volta ainda subia o morro porque na época eu não dirigia, aí o pequeno eu colocava em cima do pescoço e o mais velho ia comigo de mãos dadas,” completa.

DIAGNÓSTICO DO FILHO

Além do desafio diário de mãe,Tere enfrentou talvez o que considere o maior de todos: A doença do caçula, que foi diagnosticado com *Estenose Pulmonar ainda no primeiro ano de vida, o que necessitava de tratamento urgente.

“Sempre estava sozinha, ele trabalhava, então eu pedia bastante ajuda pros patrões do meu marido e conhecidos para me levarem em Porto Alegre, no Instituto do Coração” para tratar o Lucas”.

O caçula de Tere e Adiles foi operado por volta dos cinco anos em uma cirurgia de alto risco, que foi bem sucedida e acompanhada de perto pelo pai. “A época que o Adiles mais ficou em casa quando caminhoneiro foi quando o Lucas se operou, senão ele passava no trevo lá em cima, nos via, me deixava às roupas e partia”.

E assim foi a rotina da matriarca por 25 anos até que Geremia decidisse deixar a profissão. “Ele parou de viajar quando quase sofreu um acidente”. Meu filho mais velho já tinha completado 18 anos e havia entrado na Marinha. Adiles então decidiu vender o caminhão e comprar a parte da sociedade que tinha com um irmão em uma fábrica de massas onde trabalha junto à esposa até os dias de hoje.

*Estenose da válvula pulmonar é um estreitamento da válvula que chega ao pulmão que se abre para permitir a passagem do sangue do ventrículo direito para os pulmões.

Foto Arquivo de Família


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