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Ipê: Gerônimo Venturin completa 100 anos com saúde e lucidez

Escrito por em agosto 14, 2020

Quando Gerônimo tinha 25 anos iniciou a 2ª Guerra Mundial

Nascido em Antônio Prado em 06 de agosto de 1920, para Gerônimo Venturin ter 100 anos não é impedimento para certas atividades como subir e descer escadas e conversar com os amigos na calçada.

Neto de imigrantes italianos teve sete irmãos, sendo quatro homens e três mulheres.

Hoje aposentado, o nono trabalhou como agricultor, ajudando o pai na localidade da família na Linha Camargo até a mudança para Antônio Prado. Na cidade se instalaram próximo à igreja Nossa Senhora de Fátima e começou criação de gado leiteiro, local que na época ainda era considerado interior.

Em um bate-papo descontraído com a reportagem da Rádio Solaris, Seu Gerônimo conta um pouco de sua vida.

Lembra que estudou em Antônio Prado até o “manuscrito” depois gostaria de ter estudado mais, mas a família não tinha condições de mantê-lo em Caxias do Sul.

Conta que por 30 anos distribuía leita na cidade com uma carrocinha, até a instalação do laticínio da cooperativa, onde passou a entregar a produção.

Apesar de ter nascido já no final da peste, chamada Gripe Espanhola, que começou em 1918 e foi até 1920, Gerônimo lembra que, mesmo passados alguns anos, ouvia comentários sobre o grande número de mortes na época.

Quando Gerônimo tinha 25 anos iniciou a 2ª Guerra Mundial, a qual o Brasil se aliou a Itália, enviando inclusive soldados da região da serra. Esses, quando chegaram na Europa o conflito havia acabado. Gerônimo chegou a praticar tiro em diversos locais de mata e campo, tanto em Antônio Prado como Nova Roma do Sul. De Antônio Prado lembra que na época a localização do quartel da Brigada Militar era ao lado do prédio da Prefeitura. Lembra também ter praticado tiro com fuzil no “campo do Chiarello”, só não recorda a localização exata.  Ficou muito feliz por não ter sido convocado para ir ao campo de guerra, “eu poderia ir e deixar o corpo lá”.

Entre sorrisos, o centenário nono conta que conheceu a esposa Raquel em uma festa no então distrito de Vila Ipê. “Eu tinha uma namorada lá da Linha 30, mas ela não estava na festa, então vi aquela mulher bonita e me interessei, comecei a conversar com ela. Depois da festa marcamos um novo encontro, para a Festa da Gruta em Antônio Prado”.

Jeronimo lembra que ficou preocupado, pois no dia da festa em Antônio Prado choveu durante toda a manhã e achou que Raquel não viria para a cidade. Mesmo assim ele foi à festa e para sua surpresa encontrou novamente a pretendida.

Risos novamente, Gerônimo revela que Raquel tinha namorado e que “tirou a mulher dele”.

 “Mas aconteceu uma coisa engraçada, eu fiquei com a namorada dele e ele ficou com a minha então tudo bem”.  

O casal se conheceu quando ele tinha 35 anos e ela 26< Passados alguns meses precisou ir até a casa da Raquel para pedir sua mão em casamento, o que foi aceito pelo futuro sogro, por ver no genro um homem trabalhador. Dessa união tiveram cinco filhos, duas mulheres e três homens.

Uma recordação triste do homem que é alegre, sorridente e satisfeito com a vida, é a perda das duas filhas, que ainda eram solteiras e o falecimento da esposa em 1985. Com os filhos já criados, Gerônimo decidiu não mais se casar.

Os filhos contam que ao fazer 70 anos, o nono pediu a Deus que lhe desse mais 10 anos de vida. A partir dos 80 começou a pedir sempre cinco anos a mais, dizia que queria chegar aos 100 para ver como estavam as coisas. Na festa de aniversário, no último dia nove de agosto, não pediu mais anos de vida. Perguntado qual o motivo, disse simplesmente que deixa nas mãos de Deus e Nossa Senhora. Muito religioso, a noite sempre acompanha a missa, “quando Deus me chamar eu vou, não quero chegar lá de mãos vazias”, diz fazendo alusão a sua devoção.

Morando na casa dos filhos, um período em Caxias do Sul e outro em Ipê, nono Jeronimo tem uma saúde invejável, quase nunca tomou remédios, nem para a pressão.

De acordo com a neta Ellen, a contra gosto, recentemente começou a tomar medicamento para depressão.

Quando está em Ipê sobe a pé até o apartamento no 3º andar, uma escada com 60 degraus. Quando o tempo está bom, desce para frente da rodoviária para conversar com as pessoas.

Dentro de casa não necessita e não quer ajuda para locomoção, diz que consegue fazer sozinho, e faz.

De acordo com Gerônimo, o segredo para a vitalidade é aproveitar cada momento e não se importar com a idade. O importante é ter força de vontade, cuidar na alimentação e na bebida. “Problemas todos nós temos, mas não temos que nos apegar a eles, temos que resolver se não tem solução, deixa como está e segue a vida, sem guardar mágoas”.

Jornalista Ronei Marcilio

Imagens arquivo da família/Festa dos 100 anos


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