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Inaugurada a revitalização do Campo Santo dos Imigrantes em Flores da Cunha

Escrito por em novembro 30, 2019

O cemitério antigo da Capela São Martinho, no Travessão Martins, foi tombado historicamente em agosto de 2018

Foi inaugurado durante a tarde deste sábado, dia 30, a revitalização do “Campo Santo dos Imigrantes” localizado no Travessão Martins, interior de Flores da Cunha. O local antes denominado cemitério antigo da Capela São Martinho passou por um processo de revitalização após o tombamento como Patrimônio Histórico Cultural de Flores da Cunha em 11 de agosto de 2018. Uma missa foi celebrada pelo Pároco da Paróquia Nossa de Lurdes Frei Edson Cecchin e durante a solenidade a história do cemitério foi contada, bem como as famílias, pessoas e entidades que estiveram envolvidas no processo de tombamento. Uma pessoa em especial foi citada o senhor Domingos Caldart que faleceu no dia 23 de setembro e era guardião do cemitério.

A presidente da Associação dos Amigos do Museu e presidente do Conselho Municipal de  Cultura Lorete Calza Paludo salientou a importância histórica do cemitério, pois lá estão sepultados os primeiros imigrantes italianos e soldados desconhecidos da Revolução de 1923.

O Campo Santo dos Imigrantes foi o primeiro Patrimônio Histórico Cultural tombado em Flores da Cunha.

O trabalho foi realizado em parceria da prefeitura de Flores da Cunha com a Associação dos Amigos do Museu e Arquivo Histórico Pedro Rossi.

Histórico do Campo Santo dos Imigrantes

O “Campo Santo” está localizado ao lado da antiga estrada que ligava às famílias Gazzi e Panizzon, hoje substituída pela Estrada Municipal Ricardo Panizzon. O local possui uma cerca de “taipa” feita artesanalmente de pedras, além de covas subterrâneas, com sete palmos de fundura, pois até esta altura a terra era considerada benta, também é formado por diversas cruzes com desenhos em arabesco artesanalmente forjadas, características que o diferenciam dos demais cemitérios do município.

Além destas características, o Campo Santo dos Imigrantes da Capela São Martinho, possui outra curiosidade: o Limbo, construído fora dos limites bentos do cemitério, porém anexa ao mesmo, onde eram enterrados os não batizados, os desconhecidos e as crianças que morriam antes de ser batizadas.

Já as cruzes menores localizadas no fundo do cemitério, foram colocadas posteriormente, por volta do ano 2015, pelo senhor Plínio Mioranza, para marcar o local aonde foram sepultados os soldados da Revolução de 1923. Estes revolucionários provavelmente vinham da região dos Campos de Cima da Serra. Segundo depoimentos dos antigos moradores, estes soldados foram enterrados na Capela São Martinho, pois a Comunidade Alfredo Chaves não aceitou enterrá-los por estes serem contrários ao partido político apoiado pela comunidade.

Em 2016, os irmãos Liamar, Francisco Roberto, Paulo Renato, Ricardo e Jose Virgilio Venturini, filhos de Claudino Venturini e Oliva Caldart Venturini e descendentes de Domenico Caldart, adquiriram as terras aonde se localiza o cemitério, com o objetivo de preservar este patrimônio histórico, assim como a história da própria família. Agora o local foi desapropriado pelo município, que tornou o mesmo o primeiro patrimônio histórico e cultural, e recebendo a revitalização e manutenção.

Fotos: Jeferson Freitas – Grupo Solaris


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