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Histórias de Antônio Prado: O homem que acendia a luz à cavalo

Escrito por em agosto 28, 2021

Além das Luzes Luiz cuidava do Mato da Prefeitura

Antes do século XVIII, não havia iluminação de rua propriamente dita, apenas nas residências de pessoas com maior poder aquisitivo podiam usufruir desse beneficio. Em comemorações e festanças, os cidadãos iluminavam as fachadas das casas utilizando velas. Já no século XIX, as primeiras ruas de cidades brasileiras começaram a ser iluminadas por meio de lâmpadas de óleo de baleia.

No decorrer dos anos, passou a ser praticamente uma necessidade a iluminação elétrica nas ruas. O acionamento da energia, nos primeiros anos era feito manualmente, até que surgiu o

relé fotoelétrico, que acende automaticamente as luzes dos postes.

Não temos data precisa que esse relé começou a ser usado em Antônio Prado.

Buscando nos arquivos ocultos da nossa memória e conversando com pessoas mais velhas, concluímos que na década de 70 esse equipamento não existia nas ruas da cidade.

Nessa época a iluminação das ruas da cidade se concentrava na área central. Era comum, no anoitecer e no amanhecer, muitas vezes ainda antes do sol nascer, ouvir o andar sincronizado de um cavalo em contato com os paralelepípedos ou com as ruas de terra batida e cascalho.

No lombo do cavalo um homem negro, aparentando 50 anos, passava pelas caixas de eletricidade instaladas em postes e ligava ou desligava as luzes.

Descobrimos que o homem do cavalo se chamava Luiz Ribeiro de Jesus, ou Luiz Chora e um de seus filhos ainda mora em Antônio Prado.

Maria Cristina Cavalheiro, hoje com 47 anos, é casada e mora no bairro Aparecida e também é funcionária municipal, trabalha na creche Casa de Nazaré. A filha recebeu nossa equipe e contou um pouco da história do pai.

Luiz Chora, que não gostava desse apelido, casou três vezes, do primeiro casamento teve quatro filhos. Após a morte da esposa, casou novamente e desse casamento não teve filhos. Mais uma vez ficou viúvo, foi então que conheceu a mãe de Maria Cristina, com quem teve três filhos. Dois filhos homens moram em Caxias do Sul.

Maria Cristina não sabe precisar quando o pai começou a trabalhar na prefeitura. Sempre lembrou do pai nessa função, não sabe quanto tempo antes começou.

Além de ligar e desligar as luzes, cuidava também do Mato da Prefeitura, para que ninguém cortasse árvores. Maria Cristina lembra que muitas vezes os filhos iam com ele no mato, que era bem fechado.

Todos os dias, no final da tarde, Luiz Chora encilava o cavalo e começava a acender as luzes, as primeiras eram próximo a igreja de Fátima. “Não era uma atividade demorada, pois poucas ruas tinham iluminação, era a avenida e algumas travessas só”, lembra. Pela manhã Luiz acordava às 04h, novamente encilava o cavalo e percorrer as ruas para apagar as luzes. “Quando ele se atrasava para ligar as luzes, pedia para nós irmos até a igrejinha para apagar”, lembra a filha.

 Não havia tempo ruim, frio ou calor, chuva ou não, o trabalho tinha que ser feito.

O ano provável da aposentadoria de Luiz foi em 1987, quando Maria Cristina tinha 13 anos.

Em 1993, Luiz foi morar em Vacaria, onde faleceu em 13 de fevereiro de 2000, com 84 anos, vítima de câncer.

Pesquisa Ronei Marcilio com imagens do acervo da família


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