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“Foi uma rebelião de estancieiros, a população em geral não se envolveu”, diz historiador sobre Revolução Farroupilha

Escrito por em setembro 18, 2020

Marcos Carra explicou a origem do processo que gerou a revolta

No próximo domingo, 20 de setembro, é lembrado o início da Revolução Farroupilha, em 20 setembro de 1835. O professor e historiador Marcos Carra, em entrevista à Rádio Solaris nesta sexta-feira (18), destacou a formação dessa que foi uma das 18 revoltas do período regencial no Brasil.

Conforme o professor, a história está diretamente atrelada às disputas entre Portugueses e Espanhóis por domínio de territórios.

Na ideia dos líderes locais, o fim dos conflitos deveria inspirar o governo central a incentivar o crescimento econômico do sul, como pagamento às gerações de famílias que se voltaram para a defesa do país desde há muito tempo. Mas não foi isso que ocorreu. 

A partir de 1821 o governo central passou a impor a cobrança de taxas pesadas sobre os produtos rio-grandenses, como charque, erva-mate, couros, sebo, graxa, etc. 

No início da década de 1830, o governo aliou a cobrança de uma taxa extorsiva sobre o charque gaúcho a incentivos para a importação do importado do Prata. 

Ao mesmo tempo aumentou a taxa de importação do sal, insumo básico para a fabricação do produto. Além do mais, se as tropas que lutavam nas guerras eram gaúchas, seus comandantes vinham do centro do país. Tudo isso causou grande revolta na elite rio-grandense.

Marcos diz que a origem do gaúcho, historicamente, não é bem vista, já que sua formação ocorreu a partir de um modelo de vida onde sua sobrevivência estava baseada no abate do gado solto pelo campo, originado através da destruição dos povos jesuítas no Paraguai, que liberaram o gado no planalto gaúcho, entre São Borja e Vacaria onde passaram a se reproduzir, ou também do saque das estâncias. Viviam entre as três fronteiras, Uruguai, Argentina e Rio Grande do Sul.

O termo “gaúcho” era sinônimo de preguiça, ócio e desocupação até o início do século XX, com a Revolução Farroupilha, onde passaram a ser utilizados como soldados, prestando um importante serviço.

As principais causas da revolta, conforme Marcos Carra, foram a insatisfação dos grandes estancieiros com os tributos do governo central, assim como os impostos territoriais. A revolta era a busca por uma voz mais ativa nos destinos da província.

Destaca, no entanto, que não houve participação popular na revolta, sendo um movimento da elite gaúcha.

Fonte: Grupo Solaris – Repórter Luiz Augusto Filipini.


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