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Família utiliza irrigação por micro aspersão para preservar pessegueiros das baixas temperaturas

Escrito por em agosto 10, 2021

Sob temperaturas que chegaram a atingir -4°C, os produtores passaram noites em claro para garantir a sobrevivência do cultivo

Após os alertas meteorológicos terem previsto uma frente fria histórica na Serra gaúcha, a família Marin, do interior de Nova Pádua, se preparou para proteger sua plantação de pessegueiros das baixas temperaturas do inverno. Após implementar o sistema de irrigação por micro aspersão, Elimar Marin espera superar as 100 toneladas colhidas no ano passado.

Para pessoas de fora do meio rural, ver pessegueiros congelados pode causar um misto de espanto, por imaginar uma possível perda da produção; e encanto, por admirar tamanha beleza. No entanto, as imagens registradas na última semana de julho de 2021, demonstram a eficácia da estratégia adotada pelos produtores.

“Nos dias muito frios, se tu não ligar a água pra molhar os pessegueiros a geada mata a fruta”, esclarece Elimar. Ele explica que a irrigação das plantas deve ocorrer sempre que a temperatura for igual ou inferior a 0°C. O produtor descreve o processo: “Tem um pouco de água dentro da flor do pessegueiro, e essa água congela, fazendo com que se perca a fruta. Tu largando a água por cima, ela faz uma cápsula de gelo em volta do broto, servindo pra impedir que a temperatura fique negativa”.

E sob temperaturas que chegaram a atingir -4°C que Elimar,  a esposa Sirlei, e o filho Sidnei (Sid), tiveram que passar três noites em claro, trabalhando para garantir o funcionamento da irrigação nos parreirais e desentupindo os aspersores em que a água congelava.

O jovem Sid conta que ascendia uma fogueira para a família passar as noites no relento. “Usando até três calças, várias blusas e um casaco por cima do outro”, eles precisaram se dividir para cuidar das bombas, das tubulações e dos aspersores de água. “Começamos a molhar as parreiras das 8h da noite até as 10h da manhã seguinte”, explica.

Sid diz que o maior desafio “foi lá pelas 4h da manhã, num dia em que a temperatura chegou aos 4 graus abaixo de zero e todas as bailarinas (aspersores) congelaram”. O trabalho manual de desentupir o gelo, considerando que as tubulações são aéreas e de difícil alcance, testou os limites da sensibilidade dos agricultores ao frio, visto que a água gelada escorria pelos das mãos para o corpo.

Outra curiosidade é que, além da planta congelar, o solo fica preenchido pelo gelo. “Fica 4 dedos de gelo”, explica Sid, afirmando que fica quase impossível caminhar sem escorregar. Foram três dias com as videiras congeladas.

Com sua tática ‘anti-geada’, utilizada com êxito já no ano anterior, Elimar Marin avalia colher entre 80% e 90% da sua safra com pêssegos de alta qualidade, com frutos que podem chegar a 400 gramas. E neste mês de agosto a família segue o ciclo natural dos produtores do campo: a poda; eliminar os galhos ruins para assim renovar a planta.

Fotos: Igor Panzenhagen/ Divulgação


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