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Dia do Imigrante – O primeiro imigrante de Antônio Prado

Escrito por em junho 30, 2022

No Brasil o Dia do Imigrante é comemorado em 25 de junho

A imigração é um fenômeno que ocorre quando há o deslocamento de grupos de indivíduos das regiões/países em que nasceram para terras estrangeiras. Esta data foi criada para homenagear essas pessoas, que deixam para trás amigos e família em busca de melhores condições de vida, além de colaborarem para o crescimento do país que se destinam.

A cidade de Antônio Prado foi colonizada inicialmente por imigrantes italianos no ano de 1886, sendo a sexta e última das chamadas “antigas colônias da imigração italiana”.

O que muitos ignoram ou desconhecem é que a colonização da região operou-se em duas frentes. A primeira aconteceu junto à barra do Rio Leão com o Rio das Antas, por iniciativa do paulista, Simão David Oliveira, que deixou seu nome no local, hoje conhecido como Passo do Simão, que atualmente faz divisa com o município de Nova Pádua.

Simão também iniciou a primeira estrada construída no município, a mesma que atualmente dá acesso ao local, partindo da Capela de Santa Líbera.

Em 1880 Simão ingressou no território gaúcho por Vacaria. A seguir, costeando o rio Vieira, desceu até o rio das Antas, de lá prosseguiu a caminhada por cerca de 55 quilômetros até a chegada na barra do rio Leão, onde encontrou o local, que considerou bom para fazer sua morada.

Solteiro e analfabeto, com 43 anos, passou a morar aqui com seu agregado de nome Joaquim, esse casado e com um filho de poucos anos. Na terra fértil, ao abrigo das geadas, Simão e seu companheiro derrubaram mata, construíram suas casas e fecharam um terreno de 330 metros com cerca de espinhos. Nele passaram a cultivar milho, feijão, mandioca, cana-de-açúcar, pés de café, bananeiras, figueiras e até ananaseiros (espécie de abacaxi).

Cerca de seis anos após a chegada de Simão, começaram a se estabelecer no local alguns imigrantes italianos provenientes da ex-colônia Caxias.

O primeiro Barracão do Imigrante também foi construído no Passo do Simão, medindo 20 metros de comprimento por seis de largura e 2,50 de altura. A construção se deu através de um contrato celebrado entre o Engenheiro dos lotes, Dr. Henrique Cristiano da Silva Guerra com o Sr. Camilo Marcantônio.

No local foi construída também uma Casa Canônica para o Capelão, uma capela de pedra e um cemitério.

Vários imigrantes se estabeleceram no local, inclusive montando casas de comércio e engenho de cana-de-açúcar. Entre esses imigrantes o próprio Camilo Marcantônio.

Simão David de Oliveira, conforme declaração de Francisco Marcantônio, que o conheceu pessoalmente e com ele conviveu, foi assassinado mais tarde por um imigrante italiano de sobrenome Benetto.

Com a melhora da estrada Passo do Zeferino, atual ERS 122, em 1918, o Passo do Simão e sua estrada foram perdendo interesse, até ficarem abandonados. na década de 40 ainda tinham famílias que se reuniam aos finais de semana vindo gente inclusive de Nova Pádua e alimentando os carreteiros que por lá passavam.

No local, hoje com uma barragem e algumas casas de veraneio, ainda existe o cemitério construído na época. Cercado por uma taipa, em meio a mata, existem duas cruzes, numa delas pode-se ler “Giro Giovanni Ani 54 morto di 30 giugno del 1902”( Giro Giovani morreu aos 54 anos do dia 30 de junho de 1902).  A outra cruz não tem mais placa de identificação. “Na década de 70, por ocasião da minha primeira visita ao local, existiam quatro cruzes, com nomes, mas no decorrer do tempo elas foram sumindo”, diz o repórter Ronei Marcilio.

Antônio David Forini, 86 anos, morador da Capela de Santa Libera, conta que acompanhou muitas vezes seu avô Primo Forini até a localidade. “Lá o nono contava e mostrava onde tinha uma canônica, uma cancha de bochas e outras construções”, recorda David, como é chamado.

Os restos das construções foram destruídos por ocasião da construção da barragem.

Fotos/Gustavo Zanotto


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