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Dia de Finados tem movimento tímido em cemitérios de Caxias do Sul

Escrito por em novembro 2, 2020

A pandemia e o feriadão afastou muitas pessoas de visitarem seus entes queridos nesta segunda-feira

A pandemia do novo coronavírus afastou muitas pessoas de visitarem seus entes queridos que já partiram neste feriado de 2 de novembro nos Cemitérios Municipal I e II (Rosário), os únicos abertos para visitação este ano em Caxias do Sul, além do Cemitério Parque. O movimento da manhã desta segunda-feira de Finados no Cemitério Municipal localizado no bairro São Pelegrino, o maior da cidade, contrastava com outros anos quando havia grande circulação de pessoas.

Eram poucos os que percorriam os túmulos para deixar uma flor, fazer uma oração para familiares que já partiram. Mesmo assim, a maioria respeitou os protocolos usando máscara. Este ano em função do Covid-19, a missa foi rezada pelo padre Leonardo Pereira (bispo Dom José Gislon se recupera de uma cirurgia na perna direita) em frente ao cemitério, no Largo Fábio Formolo e não na parte interna.

Missa este ano foi rezada no largo Fábio Formolo em frente ao cemitério

Segundo o secretário de Urbanismo, João Uez, a estimativa é de que cerca de 25 mil pessoas deverão passar pelo cemitério público entre sábado (31) e segunda-feira (2). O baixo movimento também impactou na venda de flores nas imediações do Cemitério Público. O agricultor Luis Carlos Calábria, 56 anos, de Caravaggio de Farroupilha, há 33 anos que vende flores na época de Finados e conta que nunca tinha visto um movimento tão fraco como este ano. “É o pior ano com certeza para vendas. Muito em função da pandemia, mas também porque o feriado caiu numa segunda-feira e muita gente viajou”, acredita. Mesmo opinião tem o agricultor de Bom Princípio, Paulo da Silva, 55 anos, um dos 16 floristas cadastrados pela prefeitura este ano para comercialização de flores. “Venho aqui há mais de 30 anos e nunca vi um movimento tão baixo. Não acredito que o movimento vá melhorar à tarde”, disse pessimista quanto às vendas.

Agricultor Luis Carlos Calábria, de Farroupilha: “Pior ano de vendas”

Dentro do cemitério o movimento de pessoas não era nada comparável a outros anos sem pandemia. No entanto, a Covid-19 não afastou seu Honorio Scalco, 80 anos, que foi rezar pelos seus pais Américo Scalco, que faleceu aos 100 anos e pela mãe Nilza, que morreu com 80 anos, além de um filho que também já partiu aos 43 anos de idade. Com lágrimas nos olhos, ele recordou que o pai veio da Itália para Porto Alegre com 17 anos de vida. “Minha irmã não queria que eu viesse por causa da pandemia, mas todos os anos sempre venho. Deus sabe o que faz”, afirma.

Honorio Scalco: “Minha irmã queria que eu não viesse, mas todos anos sempre venho”

Mesma disposição teve Célia Canali. Aos 87 anos ela foi sozinha visitar o túmulo dos pais e salientou que está tomando todos os cuidados com o vírus. “A vontade de vir falou mais alto. Estou no grupo de risco, mas todos deveriam se cuidar, mas percebo nas ruas muita gente sem máscara e que não estão respeitando o distanciamento”, salienta.

O aposentado Valmir dos Santos, 60, foi junto com a mãe Maria Alaídes, 81, reverenciar o túmulo da avó dele e também afirmou que o movimento este ano foi bem abaixo de anos anteriores. “Neste espaço (onde está o jazigo da avó) sempre estava cheio. Acredito que o movimento está 60% abaixo dos outros anos”, estima.

Valmir dos Santos: “Movimento este ano está 60% abaixo”

A empresária Fulvia Stedile Angeli Gazola que foi visitar os túmulos dos pais e avós, entende que é importante ir no cemitério no dia de Finados para reverenciar aqueles familiares que já partiram. “Nunca podemos esquecer de quem a gente amou na vida e com quem aprendemos. As lembranças boas sempre ficam na nossa memória”, afirma.

Os portões no Cemitério Público ficam abertos até às 18h. Nos demais cemitérios (com exceção do Rosário) as missas ocorrem nas paróquias.

Visitação no Cemitério Público I foi reduzido em função da pandemia e do feriadão

Fotos: Rogério Costanza/Grupo Solaris


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