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Da Itália para o Brasil: a saga se repete

Escrito por em maio 20, 2020

Era grande a expectativa de inaugurarmos o parque da Imigração Italiana

Mais de um século depois, escultura do padre Serraglia demora 53 dias para chegar ao destino

A música descreve a saga dos imigrantes italianos até os portos brasileiros:  46 giorni con motore a vapore (46 dias de máquina a vapor).

Em uma destas máquinas a vapor veio o padre Antônio Serraglia, personagem de dois mundos, mentor religioso e espiritual de Protásio Alves. Mais de um século depois, ele chega novamente ao município, mas de outra forma: como estátua esculpida em madeira nobre, presente do povo de Seren del Grappa, cidade do norte da Itália.

Em tempos de pandemia  do coronavírus, a estátua deixou a Itália, no dia 25 de março e chegou a Porto Alegre no dia 02 de abril. Após trâmites burocráticos, foi levada a Caxias do Sul e somente chegou a Protásio Alves na segunda-feira, 18 de maio, totalizando 53 dias.

– Era grande a expectativa de inaugurarmos o parque da Imigração Italiana, onde ela terá lugar de destaque, no dia do aniversário do Município, 29 de abril, inclusive com a presença de uma comitiva italiana – relata o prefeito José Spanhol.

Prefeito Spanhol e os volumes vindos da Itália

A saga da escultura remete à vinda dos primeiros italianos. A história do presente italiano aos protasioalvenses remente ao ano de 2010 quando Spanhol visitou a pequena cidade no norte da Itália. O sonho de homenagear aquele que fez da espiritualidade uma fonte de desenvolvimento social encontrou respaldo em Lóris Scopel, prefeito de Seren, e, assim, nasceu a possibilidade de padre Antônio Serraglia retornar a Protásio Alves com a forma de uma escultura. Mas dificuldades existiam há mais de um século e existiram em 2020 também.

Conforme o prefeito Spanhol, para atender as exigências alfandegárias, a estátua e os dois volumes, carga total de 330 quilos, remetidos de Seren del Grappa para Protásio Alves passaram por processos de etiqueta sanitária comum aos dois países, Itália e Brasil. Porém, os suportes (pés) das caixas não o foram e isso gerou empecilhos à liberação imediata.

– Após todos estes dias, finalmente conseguimos trazer o presente italiano até Protásio Alves. O padre Serraglia terá o lugar de destaque que lhe é merecido por tudo o que fez pela nossa gente.  O parque será um monumento a céu aberto, uma homenagem à força e à coragem dos que aqui chegaram muito antes de nós –  explica o prefeito José Spanhol.

O Parque da Imigração Italiana está sendo construído em uma área de 10.600 metros quadrados em frente à Prefeitura e com investimento previsto de R$ 1,5 milhão e, será, em síntese, o olhar às origens, a pausa no presente para a convivência, e a projeção para o futuro, onde  nenhuma parte da  história será esquecida. 

O parque deverá ser inaugurado em 2020 e todos esperam contar com as presenças dos italianos que presentearem o Município.

A escultura

Obra do escultor italiano Beppino Lorenzet, a imagem do padre Serraglia foi apresentada em Seren Del Grappa com a presença do artista e de muitas autoridades em dezembro de 2019. Beppino, que na obra contou com o apoio de Gianlucca de Nard, com apenas uma fotografia em preto e branco do padre, o retratou na madeira de forma impressionante.

O padre Antônio Serraglia

Da Congregação dos Missionários de São Carlos ou Scalabriniana, Serraglia, nasceu em 1871, em Seren Del Grappa, Beluno (Itália), chegou em Protásio Alves em 1910 e permaneceu até seu falecimento, em 1944.

Conforme o livro, Etnias & Carisma, de Antônio Suliani, durante 34 anos, Serraglia foi considerado por todos um homem de Deus e, por isso, jamais esqueceu jamais esqueceu a condição concreta do seu povo. Além se dedicar incansavelmente à formação cristã, esteve presente em toda a iniciativa que visasse o progresso da comunidade.

De acordo com as necessidades, padre Antônio Serraglia fazia-se missionário, escrivão, agente de correio, fotógrafo e engenheiro. Apesar de franzino, 47 quilos em 1,50 metro, quando se tratava de defender os colonos contra as arbitrariedades das autoridades policiais, não temia enfrentar nem mesmo quem o enfrentasse com revólver engatinhado.

A História da Escultura

CONECTA+ COMUNICAÇÃO

Imprensa Oficial dos Municípios de Nova Prata e Protásio Alves

Imagens/Sonia Reginato


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