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Como o confinamento pode afetar a harmonia entre as famílias

Escrito por em abril 9, 2020

Psicóloga explica qual remédio para um convívio positivo em época de coronavírus

Com a vinda do novo coronavírus e após ser decretada uma pandemia que já matou milhares no mundo inteiro, o isolamento social virou uma realidade. A quarentena mudou a rotina das pessoas dentro do convívio dentro de casa entre as famílias. Dividir o espaço com marido, esposa, mãe, pai e filhos durante 24 horas por dia tornou-se uma situação desafiadora e muitas vezes de superação. Como manter a harmonia dentro do lar em tempos nunca antes visto no planeta, é uma tarefa a ser vencida.

Ansiedade, irritabilidade, tensão, falta de privacidade e angústia são fatores que podem desencadear uma desarmonia dentro de quatro paredes, mas o covid-19 trouxe um lado positivo, segundo a psicóloga Ramone Argenta, que antes não havia entre as famílias: o convívio familiar. “Nunca ninguém imaginou passar por isso, mas é uma ótima oportunidade para os pais que antes não tinham muito tempo com seus filhos, se dedicar mais a eles, participando da educação e aprendizado”, afirma. Segundo ela, o momento é viver o presente e não pensar no futuro. “Agora é hora de aproveitar o momento e melhorar nossas emoções. Não podemos pensar no que virá daqui para frente, porque não sabemos até quando vai esta situação. Então, temos que enfrentar este desafio da melhor maneira positiva, sem pensar no amanhã”, frisa.

De acordo com Ramone, brincar com os filhos, colocar a leitura em dia, fazer refeições em família, ver um bom filme, são itens que podem colaborar para um bom convívio neste momento, mas ela admite que é preciso ter tolerância e paciência em alguns casos. “Esta fase em que estamos vivendo pode ser única. Todos nós seremos impactados por esta pandemia. Agora é bom não ver muito noticiário na televisão que traz notícias ruins sobre o coronavírus. Melhor se distrair com outros programas, filmes”, diz ela.

Cuidados com pais idosos

A psicóloga Ramone também destaca os cuidados dos filhos com pais idosos nesta época em que, integrantes do chamado grupo de risco, não podem sair de casa. “Sabemos que as pessoas de idade são mais teimosas, com pensamento mais rígidos e até é difícil explicar a eles que devem ficar em casa. Os filhos devem pensar em como falar com seus pais, sem agressividade”, afirma.

Renata Vialli, proprietária de um Pet Shop em Caxias do Sul, mora com a filha, o marido e a mãe de 75 anos em um apartamento no bairro Rio Branco. Dona Marli faz uso de um marcapasso e sempre foi passeadeira e adora viajar, mas agora sua rotina mudou e tem que ficar em casa. “A mãe fica bem nervosa, mas agora tá entendendo mais que não pode sair, mas procuramos fazer com que ela se distraia conversando por telefone com as amigas, vendo televisão e fazendo sua caminhada diária na garagem do prédio todas as manhãs por uma hora”, salienta Renata.

O coordenador de turno da Escola São José de Caxias do Sul, Gilmar Pretto, 50 anos, já morou um período com os pais na sua casa no bairro Rio Branco, mas agora longe não deixa de visitá-los praticamente todos os dias ou falar por telefone com o pai José e a mãe Cecília, ambos de 79 anos de idade, que moram nas proximidades. “Eles saem muito pouco. A mãe (diabética) as vezes vai no mercado e levo ela no médico. E só. O pai, debilitado, não tem mais condições de sair de casa. Ele fica mais ouvindo rádio e noticiário na televisão”, diz Gilmar.

Gilmar visita os pais quase sempre e mantém todos cuidados de higiene

De acordo com Ramone Argenta é este acolhimento e afetividade que os filhos devem ter com os pais idosos, que muitas vezes têm medo de ficarem sozinhos. “Eles necessitam de alguém para conversar. Um jogo de cartas, ouvi-los mais sobre a vida, respeitá-los e ter paciência, além de ver o lado deles também contribuem para uma bela harmonia entre as famílias”, pondera a psicóloga.


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