{"id":57908,"date":"2021-07-24T09:08:34","date_gmt":"2021-07-24T12:08:34","guid":{"rendered":"https:\/\/radiosolaris.com.br\/beta\/?p=57908"},"modified":"2021-07-24T11:13:48","modified_gmt":"2021-07-24T14:13:48","slug":"uma-historia-que-vai-alem-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radiosolaris.com.br\/beta\/uma-historia-que-vai-alem-da-vida\/","title":{"rendered":"Uma hist\u00f3ria que vai al\u00e9m da vida"},"content":{"rendered":"\n<h4 id=\"a-historia-aconteceu-em-1988\" class=\"wp-block-heading\">A hist\u00f3ria aconteceu em 1988<\/h4>\n\n\n\n<p>Dia 25 de julho \u00e9 dia do motorista, dia de todos os profissionais que possuem Carteira Nacional da Habilita\u00e7\u00e3o \u2013 CNH. Mas nossa hist\u00f3ria hoje \u00e9 do motorista caminhoneiro. Relatamos a seguir um fato que envolveu tr\u00eas amigos caminhoneiros de Ant\u00f4nio Prado, Dorval Restelato, Geraldo Fochesatto e Vitorino (*nome fict\u00edcio n\u00f3s n\u00e3o conseguimos contato com os familiares, j\u00e1 que o mesmo \u00e9 falecido).                                                                                                 Resolvemos colocar como t\u00edtulo \u201cAmor al\u00e9m da vida\u201d, voc\u00ea vai entender o por que e, talvez at\u00e9 lembrar dessa fato, ap\u00f3s a leitura. <\/p>\n\n\n\n<p>Vamos l\u00e1&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Amigos al\u00e9m da vida<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas s\u00e3o as palavras que podem ser ditas sobre amigos. Muitas s\u00e3o as perguntas tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Qual \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de amigo? O que d\u00e1 o direito a voc\u00ea de se tornar amigo de algu\u00e9m ou o que qualifica voc\u00ea para ser amigo? O que \u00e9 a amizade? Essas s\u00e3o algumas perguntas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um sentido geral, amizade \u00e9 algo que nem sempre se define em palavras, e a hist\u00f3ria que vamos retratar prova isso, uma amizade de tr\u00eas caminhoneiros que foi al\u00e9m da vida.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o temos a data do in\u00edcio da amizade, \u00e9 prov\u00e1vel que seja desde a adolesc\u00eancia, mas o \u00e1pice foi no dia 09 de abril de 1988.<\/p>\n\n\n\n<p>Em plena safra de soja na regi\u00e3o do Mato Grosso, as horas de sono dos caminhoneiros s\u00e3o reduzidas, sua jornada come\u00e7a antes do raiar do sol. Um grupo de caminhoneiros que passava pela BR 267, pr\u00f3ximo ao entroncamento com a BR 163, cidade de Nova Alvorada do Sul, Mato Grosso do Sul, reconheceram um caminh\u00e3o Scania 112 parado no p\u00e1tio do Posto 210.<\/p>\n\n\n\n<p>Tratava-se do caminh\u00e3o de Dorval Restelatto, conhecido pelo empenho e trabalho, \u00e0s nove horas da manh\u00e3, de cortinas fechadas, chamou a aten\u00e7\u00e3o dos amigos Vitorino*, Geraldo Fochesatto e seu filho Valdecir. Preocupados com o amigo, bateram na porta da cabine uma ou duas vezes, n\u00e3o obtiveram resposta e a preocupa\u00e7\u00e3o aumentou. Com uma chave de outro caminh\u00e3o, conseguiram abrir a porta. Foi um misto de espanto e tristeza, Dorval estava morto.<\/p>\n\n\n\n<p>De imediato, Geraldo sugeriu para Vitorino que desengatassem a carreta e trouxessem o corpo para Ant\u00f4nio Prado. Houve a preocupa\u00e7\u00e3o dos companheiros, pois era algo ilegal que iriam fazer. Decidiram entrar em contato com funer\u00e1rias das cidades da regi\u00e3o para providenciar a remo\u00e7\u00e3o do corpo. A resposta foi fria e arrasadora por parte dos agentes funer\u00e1rios, \u201cDeixa o corpo l\u00e1 que a tarde n\u00f3s buscamos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Retornando ao caminh\u00e3o, junto ao corpo do amigo, Geraldo refor\u00e7ou a ideia de trazerem Dorval no caminh\u00e3o e disse para Vitorino: \u201cSe tu me acompanhas n\u00f3s vamos embora com o corpo assim\u201d. O amigo hesitou um pouco, mas, abra\u00e7ou a ideia. Valdecir ficou com a responsabilidade de permanecer no posto e cuidar dos caminh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Era preciso antes avisar a fam\u00edlia, mas n\u00e3o queriam ser os portadores da not\u00edcia para a esposa. Tiveram a ideia de ligar para Laureano Fortuna, corretor de seguros, homem conhecido na cidade. Al\u00e9m do comunicado da morte de Dorval, expuseram o plano de trazer o corpo para o Rio Grande do Sul. \u201cVoc\u00eas s\u00e3o loucos, v\u00e3o prender voc\u00eas pelo caminho\u201d, disse Laureano. De pronto Vitorino respondeu: \u201cN\u00e3o Laureano, \u00e9 imposs\u00edvel deixar o corpo do nosso amigo aqui e seguir viagem, vamos desengatar o cavalo e descer com ele, vai e avisa a fam\u00edlia\u201d. Decidiram avisar tamb\u00e9m o amigo advogado da cidade que, caso necessitasse, j\u00e1 estaria a par do assunto.<\/p>\n\n\n\n<p>Para iniciar a viagem, mantiveram Dorval sobre a cama do caminh\u00e3o, como se estivesse dormindo, e cobriram com um cobertor. Era pouco antes das 11h da manh\u00e3 quando o trio deixou o posto e seguiu rumo ao Rio Grande do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>E foi assim que come\u00e7ou a aventura da volta, os tr\u00eas amigos teriam que percorrer no menor tempo poss\u00edvel os quase 1.300 quil\u00f4metros at\u00e9 Vacaria. Optaram pelo trajeto vindo por Cascavel, no Paran\u00e1, para evitar o grande movimento de caminh\u00f5es pela rodovia que leva a S\u00e3o Paulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, em Ant\u00f4nio Prado, Laureano Fortuna e Mari Dalla Costa foram at\u00e9 a casa da esposa de Dorval, Nair Fochesatto Restelatto, para dar a not\u00edcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nair conta que, quando viu o Laureano, j\u00e1 pressentiu que a not\u00edcia n\u00e3o era coisa boa. Em um primeiro momento o mensageiro disse para a mulher que ela precisaria ir at\u00e9 o escrit\u00f3rio para assinar alguns papeis, n\u00e3o queria falar em frente \u00e0s duas filhas do casal Glaucia, de 12 anos e Roselana, de oito.<\/p>\n\n\n\n<p>A not\u00edcia caiu como uma bomba sobre a mulher, mas essa era a realidade e, as crian\u00e7as precisavam saber.<\/p>\n\n\n\n<p>O amigo advogado e Fortuna come\u00e7aram a tra\u00e7ar as a\u00e7\u00f5es que teriam que ser tomadas caso a dupla fosse parada na estrada e a pol\u00edcia viesse a descobrir o homem morto no caminh\u00e3o. Afinal, estavam preocupados, pois achavam que era certo que seriam abordados em alguma fiscaliza\u00e7\u00e3o e que seriam presos por estar transportando um cad\u00e1ver. Tamb\u00e9m deixaram em alerta o propriet\u00e1rio de uma funer\u00e1ria de Ant\u00f4nio Prado para que esperasse a dupla em Vacaria. Era preciso fazer um exame para comprovar a causa da morte para depois sepultar Dorval.<\/p>\n\n\n\n<p>A passagem pelos postos policiais era tensa, medo de que em algum lugar, fossem parados. As paradas para refei\u00e7\u00f5es eram r\u00e1pidas. Muitas vezes era preciso segurar o corpo para que n\u00e3o viesse para frente, mas com o objetivo em mente, os amigos seguiram com a aventura.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 \u00e0 noite, chegando ao estado do Paran\u00e1, uma blitz da Pol\u00edcia Federal na cidade de Santo Ant\u00f4nio do Sudoeste surpreendeu os amigos. Policiais armados na estrada mandaram que o caminh\u00e3o encostasse, Geraldo era o motorista. Vitorino desceu do caminh\u00e3o e foi conversar com os guardas, enquanto um deles foi at\u00e9 a porta do motorista conversar com Geraldo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa hora n\u00e3o sabia o que dizer, ent\u00e3o a primeira coisa que me veio \u00e0 cabe\u00e7a foi dizer que est\u00e1vamos trabalhando no transporte de soja e o nosso amigo passou mal e iriamos lev\u00e1-lo para casa\u201d, disse Geraldo ao policial.<\/p>\n\n\n\n<p>O guarda subiu no estribo do caminh\u00e3o e, com uma lanterna, olhou o interior, erguendo o cobertor que cobria Dorval. Foi nesse instante que os dois acharam que a viagem tinha chegado ao fim, seriam presos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para surpresa dos dois, o guarda desceu do caminh\u00e3o e disse, \u201c\u00c9, ele est\u00e1 mal mesmo, podem ir\u201d. O alivio foi imediato e a viagem prosseguiu.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s quatro horas de domingo, 10 de abril, o caminh\u00e3o chegou em Vacaria, no local combinado, com Vitorino, Geraldo e Dorval onde o agente funer\u00e1rio estava aguardando, junto com dois irm\u00e3os do falecido. Passando o corpo para o carro f\u00fanebre, esse seguiu para o IML de Caxias do Sul para aut\u00f3psia. Os amigos seguiram viagem para Ant\u00f4nio Prado. O Advogado j\u00e1 havia entrado em contato com um amigo influente de Caxias do Sul para agilizar a aut\u00f3psia, que foi feita logo pela manh\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo estado do corpo, o perito concluiu que o \u00f3bito teria ocorrido a pouco mais de 24 horas e a causa foi constatada como Infarto do Mioc\u00e1rdio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel o pai ser sepultado sem que as filhas e a esposa vejam ele pela \u00faltima vez\u201d, disse Dr. Cl\u00f3vis M\u00e2nica para a vi\u00fava.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a interven\u00e7\u00e3o do doutor, antes de ser liberado o corpo foi deixado numa esp\u00e9cie de freezer, para um congelamento, assim o vel\u00f3rio pode ser feito com caix\u00e3o aberto, mas apenas por uma hora.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a funer\u00e1ria lotada de amigos e conhecidos, o corpo chegou para ser velado \u00e0s 13h.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s 14 horas o caix\u00e3o foi fechado, o corpo seguiu para a Igreja Matriz e, ap\u00f3s para o Cemit\u00e9rio Municipal, onde foi sepultado.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia seguinte, Vitorino e Geraldo retornaram ao Mato Grosso com o laudo da causa da morte e em Nova Alvorada do Sul, pegaram o atestado de \u00f3bito do amigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Casados h\u00e1 16 anos, Nair, na \u00e9poca com 35 anos e Dorval, com 46, tiveram duas filhas, Glaucia e Rocelana.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMeu marido morreu h\u00e1 45 anos, mas sua hist\u00f3ria continua viva. At\u00e9 hoje encontro muitos caminhoneiros que comentam comigo que passam no posto 210 e lembram-se dele e do fato.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized is-style-default\"><img  loading=\"lazy\"  decoding=\"async\"  src=\"data:image\/png;base64,iVBORw0KGgoAAAANSUhEUgAAAAEAAAABAQMAAAAl21bKAAAAA1BMVEUAAP+KeNJXAAAAAXRSTlMAQObYZgAAAAlwSFlzAAAOxAAADsQBlSsOGwAAAApJREFUCNdjYAAAAAIAAeIhvDMAAAAASUVORK5CYII=\"  alt=\"\"  class=\"wp-image-57909 pk-lazyload\"  width=\"463\"  height=\"308\"  data-pk-sizes=\"auto\"  data-ls-sizes=\"auto, (max-width: 463px) 100vw, 463px\"  data-pk-src=\"https:\/\/radiosolaris.com.br\/beta\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/caminhoneiro.jpg\"  data-pk-srcset=\"https:\/\/radiosolaris.com.br\/beta\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/caminhoneiro.jpg 1024w, https:\/\/radiosolaris.com.br\/beta\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/caminhoneiro-800x533.jpg 800w, https:\/\/radiosolaris.com.br\/beta\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/caminhoneiro-120x80.jpg 120w, https:\/\/radiosolaris.com.br\/beta\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/caminhoneiro-90x60.jpg 90w, https:\/\/radiosolaris.com.br\/beta\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/caminhoneiro-320x213.jpg 320w, https:\/\/radiosolaris.com.br\/beta\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/caminhoneiro-560x373.jpg 560w\" ><\/figure>\n\n\n\n<p>Foto Ilustrativa<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisa e reda\u00e7\u00e3o Ronei Marcilio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria aconteceu em 1988 Dia 25 de julho \u00e9 dia do motorista, dia de todos os profissionais que possuem Carteira Nacional da Habilita\u00e7\u00e3o \u2013 CNH. 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