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Antônio Prado 121 anos – Os primeiros Párocos

Escrito por em fevereiro 17, 2020

Imperador D. Pedro II nomeia o primeiro pároco em 1888

Os imigrantes italianos e poloneses que chegaram à região no final do século XIX trouxeram com eles vontade de progredir e muita fé. Como a então colônia não possuía um religioso, um pedido, datado de 04 de maio de 1888, feito ao Imperador D. Pedro II pelo Padre Luís Centin, ex-pároco de Santa Teresa de Caxias, foi nomeado para a Colônia Antônio Prado o Padre Alexandre Pellegrini. Essa solicitação havia sido feita também, pelo engenheiro chefe Henrique Cristiano da Silva Guerra, em 03 de março do mesmo ano.

Pellegrini, nascido na diocese de Verona, Itália, em 1829, foi ordenado padre em 15 de outubro de 1854. Veio ao Brasil em 1883, com 53 anos.

A principio Pellegrini se instalou junto aos imigrantes da Linha Jansen, hoje município de Farroupilha, passando a capelão de Nova Trento entre os anos de 1885 e 1888.

Em 03 de outubro de 1888 foi provisionado 1º Cura da Colônia de Antônio Prado.

Pellegrini celebrou a primeira missa no Barracão do Imigrante, onde proferiu as históricas palavras: “Homens livres do orbe (mundo)! Eis aqui a terra de promissão. Só com os braços conquistarei o pão e a liberdade”.

Em 20 de abril de 1897 Pellegrini pediu a sua substituição de cura de Antônio Prado e, em novembro do mesmo ano transferiu-se para o local onde fundou Nova Roma. Levou para o local seu zelo apostólico em favor da numerosa população daquela região.

Antes de sua partida para Nova Roma, Pellegrini iniciou a construção da Igreja Matriz de Antônio Prado e fundou diversas capelas no interior.

Padre Alexandre Pellegrini morreu em 19 de agosto de 1899.

Padre Carmine Fasulo

Em substituição ao antigo pároco foi nomeado o Padre Carmine Fasulo, em 8 de novembro de 1897, chegando a localidade no dia 18 deste mesmo mês.

Nascido em Monte Falcione, Província de Avelino, Itália Fasulo foi ordenado padre em 22 de maio de 1890, ano em que partiu para o Brasil. Começou a trabalhar como coadjutor de Caxias até 1891.

Sacerdote zeloso, inteligente, empreendedor e corajoso, foi o segundo e último cura de Antônio Prado. promovendo o então Curato a categoria de Paróquia, em 02 de maio de 1893.

Padre Carmine ampliou e concluiu a Igreja Matriz, enriquecendo-a com sete altares e construiu a Casa Paroquial.

Fundou a Pia União das Filhas de Maria, que floresceu de modo admirável, englobando quase todas as jovens da sede e muitas do interior.

Em 1900, foi a cidade de Garibaldi onde obteve da superior provincial das Irmãs de São José, a vinda de sete religiosas francesas, onde fundaram o Colégio São José, a quem tanto deve a cultura de Antônio Prado.

Em 07 de julho de 1902 obteve de D. Cláudio portaria criando o Curato de Nova Roma do Sul, desmembrando da Paróquia de Antônio Prado, por causa do Rio Inferno que no tempo de enchente não dava travessia.

Carmine Fasulo procedeu à benção inaugural das capelas:

– São João da Linha Trajano, em 1898,  em 10 de novembro de 1899

– Nossa Senhora da Conceição, na Linha 10 de Julho, Borgo Forte, em 27 de maio de 1899

– São José, Linha Trajano em 12 de fevereiro de 1899

– São José, Linha Silva Tavares em 25 de maio de 1899

– São Luiz da França (Vila Ipê) em 03 de janeiro de 1900,

– São Valentim em 12 de junho de 1902

– São Roque em 08 de abril de 1902 além de outras.

Carmine Fasulo, o Padre expulso de Antônio Prado

Como existiam nas colônias italianas de Caxias e Bento Gonçalves, também em Antônio Prado havia um grupo de Carbonários (integrantes de seita secreta, hoje conhecidos como Maçons) anticlericais. Eram imigrantes esclarecidos, velho revoltados com a igreja e o clero em virtude dos Estados Pontifícios, que impediam a unificação da Itália.

Vendo o crescente desenvolvimento católico impulsionado por D. Carmine Fasulo, estes maçons tramaram a expulsão do vigário. O grupo conseguiu aliciar alguns católicos e formaram uma escolta de umas 15 pessoas, entre elas: Vítor Fedumenti, João Miller, João Tonoli, José Agnini, Antônio Meneguzzi, José Deluchi, Emílio e Rômulo Mondadori e os irmão João, Domingos e José Fontana.

Afim de convencer os católicos da necessidade de expulsão do vigário, os carbonários alegaram a tentativa de D. Carmine contra castidade de algumas Filhas de Maria.

O Padre Icídio Pampanelli e o Senhor José Dotti haviam prevenido o pároco acerca do plano.

Foi em 1903 que o Padre Fasulo teria sido convidado a visitar um moribundo, altas horas da noite. Montado a cavalo, tomou rumo do Passo do Simão, onde um grupo pretendia transportá-lo ao outro lado do rio das Antas, sobe ameaça de morte.

O padre, já convencido da má intenção dos acompanhantes, que seguiam a cavalo a frente e na retaguarda, aproveitando a escuridão da noite sem luar, de imediato tomou um atalho que conhecia no caminho e se evadiu sutilmente. Ao chegaram ao passo a comitiva se deu conta, com espanto, que o vigário não estava mais com eles. Fasulo já havia se refugiado na casa da família Bortolotto, onde pernoitou. O grupo que o acompanhava, desorientados e envergonhados, vagaram pela selva, só retornando à vila no dia seguinte.

O lamentável episódio motivou a voluntária transferência do pároco, que em 21 de dezembro de 1903, passou a residir por dois meses na capela de São Luiz do Formigueiro (Vila Ipê).

Em 15 de julho de 1904 padre Carmini transferiu-se de Antônio Prado para Caxias.

Em setembro de 1920 mudou-se para a Itália. Faleceu em Terno no dia 23 de janeiro de 1935, com 70 anos.

Padre Ângelo Donatoi

Com a saída de Padre Fasulo em 1904, assumiu a direção da paróquia o Padre Ângelo Donato. Nascido na Itália em 27 de dezembro de 1863 na diocese de Pádua, foi ordenado em Porto Alegre em 30 de novembro de 1899. Foi vigário de Antônio Prado entre 1904 e 1905. Transferiu-se para Bento Gonçalves onde atuou entre 1906 e 1907.

Em Antônio Prado inaugurou a capela de Nossa Senhora da Saúde, Linha 02 de Julho em 14 de maio de 1904.

Em 1928 recebeu o título de Cônego. Faleceu em Caxias do Sul no dia 06 de agosto de 1953, com 90 anos.

Padre José Benini

Em 25 de fevereiro de 1906 era nomeado vigário o Padre Antônio Pertile, tendo como coadjutor o Pe.José Benini, o qual em 20 de abril de 1907 assumia a direção da paróquia. Benini ficou a frente dos paroquianos durante 30 anos, até sua morte em 29 de novembro de 1937. Nascino na cidade de Feltre, Itália, em 11 de fevereiro de 1875, emigrou com os pais para o Brasil. Estudou no Seminário de Porto Alegre ordenando-se em 13 de maio de 1906.

Em 30 anos de paróquia, Benini escreveu uma autêntica epopeia de consagração ao povo pradense. colaborou vigorosamente no desenvolvimento não apenas espiritual, mas também social e econômico do município.

Em 1926, João Fontana escreveu ao Arcebispo D. João Becker, fazendo queixas contra Benini. A pedido da Cúria Metropolitana, reuniram-se então na casa paroquial o Dr. Osvaldo Hampe, o Intendente Caetano Reginato e o Vice-Intendente Vicente Palombini.

O grupo formulou resposta ao prelado, declarando a carta caluniosa, pois o padre gozava da melhor fama.

Após os trágicos acontecimentos de 25 de maio de 1936 em frente a prefeitura, Dr. Osvaldo Hampe, em seu Livro de memórias, responsabilizou Pe. Benini pelos acontecimentos.

Benini deixou como legado importantes melhorias na Igreja Matriz e na Casa Paroquial, avaliados em 90 contos de réis. Entre eles podemos citar o campanário, os sinos, o pavimento de ladrilhos, os bancos, a escadaria, a fachada da igreja, o relógio, a sacristia, várias construções e terrenos, além do Colégio dos Irmãos Maristas.

Faleceu no Hospital São José de Antônio Prado no dia 29 de novembro de 1937.

Pe. Luíz Savio

Com a morte de Benini, D. José Barea nomeou para seu substituto o Pe. Luís Savio, natural de Piemonte, Itália. Durante 15 anos Pe. Savio atuou na diocese de Ribeirão Preto – SP, vindo ao Rio Grande do Sul, foi coadjutor em Bento Gonçalves e dai para Antônio Prado.

De idade avançada e com saúde debilitada, pôde trabalhar poucos meses, vindo a falecer repentinamente de síndrome cardíaca. O lamentável fato ocorreu durante celebração de missa no dia primeiro de maio de 1938, na capela de Santa Ana, numa solenidade da Primeira Comunhão. Após o sermão, ao iniciar a recitação do Credo, caiu sobre o altar, diante da estupefação dos fiéis. O enfermeiro e farmacêutico Bortolo Bernardi, que se encontrava na igreja, tentou reanima-lo, mas foi em vão.

Pe. Henrique Gelain

Com a morte do Pe. Luís Savio, foi nomeado pároco o Pe. Henrique Gelain, que tomou posse em 15 de maio  de 1938. Natural de Nova Pádua, então distrito de Flores da Cunha, Gelain nasceu me 12 de junho de 1910 e foi ordenado sacerdote em 28 de outubro de 1935, quando então começou a atuar em Vista Alegre, distrito de Nova Prada.

Em agosto daquele ano, em carta circular do Dispo Diocesano foi proibido pregação em língua estrangeira, podendo, entretanto, no fim repeti-la em língua italiana. Mais tarde, por ordem policial, foi proibida a repetição em italiano na Matriz, podendo apenas ser feito nas capelas.

De 16 a 18 de outubro de 1940 promoveu a solene festa na Gruta, com bênção do sino, doado por Marino Parisoto. Nesse mesmo mês foi inaugurado no morro da Gruta o Cruzeiro Luminoso. Durante muitos anos Antônio Prado ficou conhecida como A Cidade do Cruzeiro.

Em 15 de agosto de 194, Pe. Gelain fundava a União Católica de Antônio Prado, integrada pelo prefeito Major Miranda, Reinaldo Barison, Luiz Grezzana, Máximo Empinóti, Abramo e Domingos Grazziotin, Pedro Cesa Sobrinho, Sebastião e João Furlin, Augusto Guerra, Ãngelo Rossi e João Luiz Melo.

Em 1941 funda a Ação Católica, integrada pela elite da sociedade, com o Coletor Federal, Luiz Marcantônio Grezzana, Escrivão da Coletoria Federal, Altair Amorim, Agente postal e Telegráfico, João Lucena, Augusto Guerra, Pedro Cesa Sobrinho, João Grazziotin, Reinaldo Barison, Ermelindo Denale, Domingos e Abramo Grazziotin, Romeu Michelon e Ernesto Zolet.

Nomeado Bispo de Cajazerias, na Paraíba, Don Henrique Gelain foi sagrado na Matriz de Antônio Prado em 10 de dezembro de 1944.

Não temos a data precisa da morte de Don Henrique Gelain.

Naquela época Antônio Prado era destaque no cenário gaúcho, sendo o maior produtor de trigo do estado.

Pe. Ernesto Mânica

Em 13 de janeiro de 1945 assumia a direção da paróquia de Antônio Prado o Pe. Ernesto Mânica. Professoru universitário, sacerdote dinâmico, de atuante atividade religiosa, social e politica, ao qual o município muito deve.

Mânica relata que quando chegou na cidade encontrou Antônio Prado tomado de grande desânimo. Naquele ano ia ser inaugurada a BR 116, desviando todo o tráfego, que antes passava pela cidade indo para o centro e norte do pais, a partir dai passaria por São Marcos e Caxias do Sul. Com o fato, todos diziam para o pároco “agora é o fim de Antônio Prado”, mesmo num caminhão podia se ler a frase “visite Antônio Prado antes que desapareça”.

Procurando reanimar aquele povo, tomado de desânimo e sem esperança de dias melhores, Mânica pensou em fundar um estabelecimento de ensino secundário, mas ninguém acreditava que isso pudesse ser realizado. Mesmo as lideranças eram todas contra e achavam a iniciativa simplesmente inviável, mesmo por que diziam : “Onde os estavam professores e, além disso, quantos poderiam frequentar e pagar seus estudos”?   

Com o objetivo de manter as famílias na cidade, Mânica construiu o Ginásio São José, mas era preciso manter os jovens na cidade, esse era o próximo passo do religioso, incentivar a indústria.

Mânica procurou então o Sr. Valdomiro Bocchese, que na época estava iniciando o Moinho do Nordeste, hoje Nordeste Alimentos. Convenceu o empresário e juntos iniciaram a construção do Frigorífico Pradense. Foi instalado também um curtume e o desejo do religioso era de fundar também uma fabrica de calçados, outra de massas e assim por diante.

Em primeiro de janeiro de 1956 Pe. Ernesto Mânica foi transferido para a paróquia de Santo Antônio de Bento Gonçalves, onde permaneceu no cargo até 15 de fevereiro de 1958.

Pe. Antônio Galiotto

Para assumir a paróquia pradense foi nomeado o jovem sacerdote, de 31 anos, Pe. Antônio Galiotto, que permaneceu no cargo até dezembro de 1963. A exemplo de Mânica, Galiotto dedicou-se ao bem-estar dos seus paroquianos. No ginásio, Galiotto instalou a Escola de Nazaré, onde as noivas, num curso de quatro meses, poderiam aprender o que uma esposa deve saber para dirigir sua casa e sua família.

O padre também incentivou a agricultura, ensinou os agricultores a terem mais capricho e conforto em suas casas. Ensinou que deviam ter dentro de casa todo o serviço sanitário. Muitos achavam isso impossível, pois quem iria suportar o mau cheiro? Levou então alguns agricultores a casa canônica e abriu as postas dos banheiros perguntando: “Vocês sentem algum cheiro?”

Galiotto visitava as famílias do interior, orientava sobre saúde, higiene e até sexo, buscando com os próprios agricultores soluções simples para os problemas que, para eles, pareciam complexos. Foi também um dos incentivadores para a criação do Sindicato dos trabalhadores Rurais de Antônio Prado e também buscou junto ao governo do estado, a construção da então ponte Passo do Zeferino, hoje Valdomiro Bocchese.

Pe. Galiotto também teve a iniciativa de buscar junto as autoridades a instalação da Agencia do Banco do Brasil na cidade, que injetou sangue na economia pradense.

O desânimo que reinava antes, agora virou um mundo novo e todos queriam construir e se instalar em Antônio Prado. foi a fase dos motoristas de caminhão, que logo viraram frotas e que também injetou ânimo e dinheiro na cidade. Foi responsável pela aquisição do Hospital São José, pois achava que estava muito aquém das necessidades da população. Contratou um novo médico e passou em todas as capelas apresentando o novo profissional.

Pe. Leonel Pergher e Pe. João Bosco Luís Schio

Em substituição ao Pe. Antônio Galiotto, assumiu a direção da paróquia na sede, em março de 1964, o Pe. Leonel Pergher. Além do seu rotineiro trabalho pastoral, ao novo pároco a construção e modernização do Hospital São José, adquirido da Mitra por seu antecessor.

A fundação da Cooperativa Agropecuária Pradense contou igualmente com a colaboração de Pergher. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais, a ASCAR também devem muito ao religioso.

O padre também trabalhou na orientação dos agricultores, construção de salões nas capelas, incentivo ao cultivo da maçã, além de outras iniciativas de caráter social. Pe. Leonel sempre teve o apoio de seu coadjutor Pe. João Bosco Luís Schio, que assumiu a paróquia em janeiro de 1976.

Pe. Leonel também foi fundador e colaborador dos jornais Panorama Pradense e Jornal de Antônio Prado.

Ao seu sucessor, Pe Schio, assessorado pelo Pe. Nivaldo Piazza, coube a continuação do trabalho incessante junto ao Hospital São José, Cooperativa, cultivo de macieiras, construção de sedes sociais nas capelas e, sobretudo a construção da maior de todas as sedes sociais do município, o salão da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes. Esse foi inaugurado durante a festa de Nossa Senhora do Rosário, em outubro de 1979.

Em fins de 1979 o Pe. Nivaldo Piazza foi transferido para Caxias do Sul.

Acervo Nilo Bortoloto, do Livro Antônio Prado e sua História – Fidélis Dalcin Barbosa

Pesquisa e Redação Jornalista Ronei Marcilio – Grupo Solaris de Comunicação


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