Faixa Atual

Título

Artista


Alhos Galo é uma empresa de Gente que Faz

Escrito por em maio 20, 2021

Todo o alho colhido em Ipê é vendido para os estados do Mato Grosso do Sul, Belém do Pará e São Paulo

Com 55 anos, o Florense, Gilmar Molon sempre trabalhou na agricultura. Primeiramente com os pais, no interior de Flores da Cunha, onde aprendeu a profissão com seu pai.

Em conversa com a equipe do projeto Gente que Faz, Gilmar contou sua história.

Até o ano de 1984 a família era produtora de uva quando o pai, por intermédio de um amigo, conheceu os macetes da cultura do alho e achou interessante e lucrativo. Sem abandonar a uva, começou plantando 50 quilos do produto, gostou do resultado. Os 50 quilos passaram para 300 depois para 400, 1.000, até os dias atuais, com 25 toneladas de mudas plantadas.

Com uma área de 25 hectares, Gilmar escolheu produzir em Ipê, pois as características do terreno são apropriadas. “Sem contar que é perto de Flores, e aqui é um lugar bonito”, diz.

No intervalo entre uma safra e outra de alho, o produtor faz uma rotação de culturas, planta brócolis, cebola, soja, cenoura e feijão. O carro chefe da produção é o alho, com produção anual de 300 toneladas.

Todo produto plantado em Ipê é industrializado em Flores da Cunha e vendido para os estados do Mato Grosso do Sul, Belém do Pará e São Paulo.

Para Molon o que mais atrapalha os produtores é o alho importado. Segundo ele, o governo Chinês subsidia os produtores com o cultivo e também não é cobrada taxa de exportação, “por esses motivos ele chega aqui mais barato, mas a nossa qualidade é melhor”, assegura.

Apesar de achar que a concorrência é desleal, Gilmar disse que, se tiver que optar entre tudo o que planta, ainda fica com o alho. “Com seis tipos de cultura, duas ou três podem dar problema, mas é muito difícil dar nas seis, o alho não vai sair da minha vida”, afirma o produtor. Gilmar disse que durante todo esse tempo produzindo alho recorda que perdeu dinheiro somente um ano, os demais cobriram os custos e ainda sobrou.

A expectativa da melhora do preço é vista como uma possibilidade real. Molon destaca o trabalho que vem sendo feito pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Flores da Cunha, Olir Schiavenin. Também ressalta a importância da Associação Gaúcha de Produtores de Alho – AGAPA, cujo presidente é o vereador Ipeense Valdir Bueno. “O Valdir está fazendo um ótimo trabalho, em breve teremos muitas melhoras”.

Como surgiu o nome Alhos Galo

Gilmar conta que, em 2013, quando um comprador paulista esteve em Flores da Cunha para compra do produto. “Esse comprador, Denilson Santos, da Dai Alimentos, hoje amigo, disse que eu não seria louco de assassinar o alho em saco, por ser muito bonito então sugeriu que embalasse em caixas”. Sem a certeza de que daria certo, Gilmar achou muitas desculpas, uma delas é de que não tinha um nome para o produto.

O comprador, que estava hospedado em Flores da Cunha, achou interessante que muitos comércios tinham a palavra Galo no nome e perguntou qual o motivo. Gilmar então contou a história do mágico que enganou o povo numa apresentação. A história relata que o ilusionista se apresentou na cidade com um galo. Disse que cortaria o pescoço da ave e depois colaria e ela reviveria. Para isso fez apostas com a plateia, recolheu o dinheiro, cortou a cabeça do galo e disse que se recolheria para os bastidores e quando voltasse teria colado a cabeça do animal.

Depois disso o mágico, o galo e o dinheiro da plateia nunca mais foram vistos.

Esse comprador então teve a ideia de colocar o nome Alhos Galo, o que Gilmar discordou, pois temia sofrer deboches, porém foi convencido que seria um nome fácil de decorar e difícil de esquecer. Quanto aos deboches, nunca vieram, até porque a cidade é conhecida como Terra do Galo.

“Um ano depois fui para São Paulo, ninguém me conhecia pelo nome, só me chamavam de Alhos Galo”, conta.

Alhos Galo é de Gente que Faz


Opnião dos Leitores

Deixe uma Resposta

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *