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A tradição da graspa mantida em Protásio Alves

Escrito por em março 9, 2021

A bebida também faz muito bem ao sistema digestivo, diz produtor

A graspa tem como principal ingrediente as partes sólidas resultantes do processo de vinificação, como o esqueleto do cacho de uva, as sementes e, principalmente, as cascas e as polpas das uvas. Após a fermentação alcoólica, o álcool retido nestes componentes é extraído através da destilação.

No interior de Protásio Alves, é possível encontrar famílias que mantêm a tradição da fabricação da graspa. Arturo Lorencet, morador da Comunidade Bochófila, tem 92 anos e há 60 dedica-se à atividade nesta época pós-vindima. Esbanjando uma disposição invejável, ele explica que a produção na propriedade foi modificada para facilitar seu trabalho.

– Agora contamos com dois alambiques. Então, colocamos o bagaço das uvas em um e depois destilamos a graspa em outro. Não há mais a necessidade da retirada manual da matéria-prima, após as “queimadas” para finalizar o processo. É só virar o primeiro alambique –  explica seu Lorencet.

Sorrindo e explicando o processo, seu Arturo comenta que a atividade está perdendo espaço, pois somente os mais antigos dedicam-se a executar o processo que é trabalhoso já que a “lida” exige o uso do fogo e trabalho braçal.

Na Capela São Victor, encontramos Agenor Franciscon, 72 anos, e Inácio Franciscon, 58 anos, tio e sobrinho, respectivamente. Em um pequeno ambiente especialmente preparado para a fabricação da graspa, eles observam o andamento do processo e oferecem um gole do destilado saindo do alambique com uma graduação alcoólica que pode chegar a  38°GL a 54°GL.

– Nós o mantemos mais baixo (o teor), cerca de 21º GL, controlando a proporção de água e graspa – comenta Agenor que sugere que a bebida seja acrescentada ao café ou apreciada com muita moderação.

– A graspa também faz muito bem ao sistema digestivo, só lembrar que é apenas um  pequeno gole e não confundam com cachaça – ressalta bem humorado.

O teor alcoólico da graspa é medido com o alcoômetro ou, como denominam no interior, o  “provim”.

Além de Arturo e Agenor, também fabricam graspa em Protásio Alves: o casal Odila e Agenor Cassol, na Linha Quinta; Domingos Cassol, na Linha Sétima; e Eneri Cecchin, na comunidade São João. 

Mais informações os processos de fazer graspa em https://bit.ly/3l0UX1t

Fotos: Sonia Reginato/C+C


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