Faixa Atual

Título

Artista


Câncer de próstata tem cura se detectado no início

Escrito por em novembro 11, 2021

Roque Benini, morador de Antônio Prado, foi diagnosticado com câncer de próstata em 2014

Segundo dados de 2020 do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de próstata ocupa o segundo lugar da lista de tumores malignos mais comuns no Brasil entre os homens. Além disso, a doença está na segunda posição entre as que levam pessoas do sexo masculino ao óbito no país.

A boa notícia é que, na maioria dos casos, o seu crescimento é lento, o que leva o tumor a demorar anos para causar algum sintoma. Dessa forma, garantir um diagnóstico nas fases iniciais é fundamental para evitar estágios mais graves da doença. Para tanto, é preciso realizar exames de rotina que cobrem o rastreamento do câncer de próstata. Nesse caso, pode-se citar o toque retal e a dosagem do PSA.

O toque retal é um exame rápido, simples e eficiente para detectar problemas nessa área do corpo masculino. No entanto, muitos homens têm vários preconceitos e temem esse exame. Dessa forma, o evitam, o que prejudica o diagnóstico precoce.

Combater o preconceito pode salvar vidas! Para inspirar você a realizar o exame de toque retal na faixa etária indicada, contamos, neste artigo, a história de um homem que ultrapassou o receio do exame e conquistou uma nova vida, provando que o câncer de próstata tem cura.

Entrevista com Roque Benini, de Antônio Prado, que em 2014 foi diagnosticado com Câncer de Próstata

Em um primeiro momento Benini atribui o câncer ao histórico familiar, seu avô e seu pai tiveram esse mesmo diagnóstico. Quando Roque tinha cinco anos seu avô baixou o hospital, pois não conseguia urinar, uma semana após veio a óbito. Ainda menino perguntou ao pai do que o avô havia morrido, o pai respondeu que tinha trancado a urina. Essa história durou por 50 anos, até que Roque precisou da certidão de óbito do avô e, para sua surpresa, a causa da morte foi próstata.

Nessa época o pai de Roque tinha 79 anos, – Eu falei pra ele que o nono tinha morrido de câncer de próstata –, diz. Pensando na hereditariedade levou o pai para exame médico e foram descobertos dois nódulos do tamanho de um grão de feijão.

A primeira opção dos médicos foi de fazer cirurgia, porém Roque optou em buscar opinião de outros profissionais. Conversou com alguns especialistas que optaram em fazer biopsia, com o resultado acharam melhor só acompanhar e fazer um tratamento, pois com sua idade não seria necessário fazer cirurgia, até porque seria perigosa.

– Meu pai viveu até os 99 anos, sempre acompanhamos fazendo exames, os nódulos não evoluíram-.

Depois da descoberta das causas da morte do avô e dos nódulos no pai Roque pensou: “Pô, eu sei o que me espera”. A partir dos 55 anos começou a frequentar médico regularmente uma vez ao ano. A partir dos 60 anos, de acordo com o médico, pelo fator hereditário, precisou acompanhamento a cada seis meses.

Benini conta que seus exames de PSA, no início, tinham números baixos, 2,5, porém em seis meses saltaram para 4,8. Quando esse número ultrapassa 4 já é suspeita, agravando mais quando dá um salto brusco.

Mediante esse quadro o médico solicitou uma biopsia, onde foram retirados seis fragmentos da próstata e em dois apareceram células malignas. – Eu não sentia nada, não tinha dificuldade de urinar, fiz uma ecografia e não aparecia nada, não tinha nada, estava normal-, relembra.

Quando recebeu o diagnóstico passou pela sua cabeça que estaria seguindo os passos do avô e do pai. – Sempre que se recebe um diagnóstico de câncer se perde o chão, mas em dois dias eu digeri a ideia-, relembra.

O médico que tratava Roque lhe deu três opções: acompanhar, pois estava bem no início; fazer cirurgia para retirada total da próstata; ou radioterapia. Como Roque gozava de boa saúde, foi lhe dito que a cirurgia seria tranquila.

Antes de tomar a decisão, conversou com mais três profissionais que o aconselharam em fazer a cirurgia. – Se não tivesse feito qualquer dorzinha eu ia ficar pensando bobagem. Então tirei a próstata e deu, tchau, se alguma coisa voltasse, eu ainda tinha a radiologia-.

Roque fez a cirurgia com 64 anos, disse que nunca sentiu sintoma, fez acompanhamento pelo fato dos casos em família. Os médicos acham que o câncer de próstata apenas 5% à 10% pode ser hereditário, Roque já acha que, se seu pai e seu avô tiveram há 50% de chance.

Um dos sintomas que todo o homem, com mais de 50 anos, deve prestar atenção é quando diminui o jato da urina, mesmo com vontade de urinar não consegue soltar todo o xixi. Isso ocorre, pois a próstata inflama e tranca a uretra, que passa no meio. Só que esse “trancamento da urina” nem sempre é câncer de próstata, pode ser também uma inflamação urinária, por isso a importância do exame. Quem passa pela cirurgia do câncer de próstata deve usar sonda por aproximadamente 30 dias, até cicatrizar, após a recuperação é rápida.

Roque conta que muitos boatos assustam os homens quando se fala de cirurgia de câncer de próstata. Um desses boatos é de que após a cirurgia o homem fica impotente, não tem mais ereção. – Mentira, isso é mentira, vejo por mim, mantenho minha vida sexual ativa. Claro, para voltar ao normal leva aproximadamente um ano, mas a gente volta a ter ereção sim e não tem incontinência urinária. Só não volta a “funcionar” quem não “funcionava” antes-.

Para Benini, a cada ano que passa a medicina avança e usa como exemplo a biopsia, cujo resultado aparece números que fazem parte de uma tabela chamada *Escore de Gleason.

Esses números, de 05 a 10, indicam o grau de agressividade do câncer, sendo que 05 é considerado normal, se der 06 ou 07 é considerado pouco agressivo. Já 08, 09 e 10 passa a ser mais preocupante pela agressividade e desenvolvimento mais rápido.

No meu caso e no do pai o número deu 06, por isso não me preocupei muito. Como ele vai evoluído, quando foi feita a patologia, após a cirurgia, já havia atingido o número 07-.

Com a propriedade de quem acompanhou um familiar, passou pela doença, conversou com médico e atua na Associação de Apoio aos Portadores de Câncer (AAPC), Roque é taxativo em afirmar; – Quando o câncer sai da próstata e vai para a corrente sanguínea passa a ser tarde de mais, a luta ai é muito grande, normalmente também se reproduz nos ossos, depois vai para os pulmões. No estágio dos ossos é muita dor, muita luta, vem às quimioterapias, tudo isso pode ser evitado se fizer exame preventivo -, destaca.

Perguntado qual o conselho que daria aos homens, Roque foi direto e preciso.

Eu diria para as pessoas não esperarem par ir ao médico somente quando tranca a urina, pode ser tarde. Quando tranca a urina a próstata está inflamada. Claro que pode ser inflamação da próstata. Em 75% dos casos é só abrir o canal, e fazer raspagem, tudo via videolaparoscopia.

Mas e se não for?  O principal é pegar o câncer no começo, ver o tipo de agressividade, ai a solução é 100%-.

Quanto ao tabu dos homens de realizar o exame de toque Roque diz que esse é o mais eficiente. O PSA não é tão preciso para indicar o câncer, pois ele pode indicar apenas uma inflamação, ou até uma infecção urinária. Quando solucionado volta ao normal.

Já o exame de toque indica se há nódulos na próstata, o médico sente a consistência e pode analisar o tamanho. – PSA é um alerta, exame de toque e ecografia te mostram o que tem e a biopsia diz se é maligno ou não-.

Roque Benini finaliza dizendo que, não acredita que exista uma prevenção para não ter o câncer de próstata. Acredita que o melhor é fazer exercícios físicos, sem excesso de bebida, de gorduras, manter uma vida saudável que, se acometido, pode superar com mais facilidade. – Não adianta tomar chá disso ou daquilo, fazer isso ou aquilo você não vai ter câncer de próstata, acho que só o tempo dirá, essa é minha opinião-.

*Escore de Gleason (também conhecido como escala ou pontuação de Gleason) é uma pontuação dada a um câncer de próstata baseada em sua aparência microscópica. O escore de Gleason é importante porque escores maiores estão associados a piores prognósticos, já que são dados a cânceres mais agressivos.


Opnião dos Leitores

Deixe uma Resposta

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *